Bel-Ami de Guy de Maupassant


Trechos da obra

Embora vestisse um terno de sessenta francos, mantinha certa elegância enganosa, um pouco comum, mas assim mesmo real. Grande, bem feito, loiro, de um loiro castanho levemente arruivado; com um bigode arqueado, que parecia roçar seus lábios; os olhos azuis, claros, com pupilas muito pequenas; cabelos frisados naturalmente, repartidos no meio. Parecia-se com o vilão dos romances populares.” (pág. 12)

“Imaginara até então que, para abordar e conquistar uma dessas criaturas tão desejadas, era preciso solicitudes infinitas, esperas intermináveis, um cerco hábil feito de galantarias, palavras de amor, suspiros e presentes. E eis que, subitamente, ao menor ataque, a primeira que encontra se entrega a ele, e com tanta rapidez que ainda estava estupefato.” (pág. 89)

“De um instante para outro, parou de se debater e, vencida, resignada, deixou-se desnudar por ele. Ele retirava, uma a uma, habilmente e de forma rápida, todas as partes de sua toalete com dedos ligeiros de camareira.
Ela pegara seu corpete das mãos dele para esconder seu rosto, e permanecia de pé, toda branca, em meio àquelas roupas caídas a seus pés.
Ele a deixou com as botinas e carregou-a em seus braços até a cama.
— Eu juro... juro... que jamais tive amante — murmurou na orelha dele com uma voz quebrada, como uma jovem teria dito: ‘Juro que sou virgem.’
E ele pensava: “Eis algo que pouco me importa!” (pág. 266)

“Ela fingia não olhar nem ver seu marido.
Mas o senhor da cama vestiu-se. Havia colocado suas calças, calçado suas botinas e aproximou-se, vestindo o colete.
O oficial de polícia se voltou para ele:
— Agora, senhor, deseja dizer quem é?
O outro não respondeu.
— Vejo-me obrigado a prendê-lo — ameaçou o comissário.
O homem então exclamou bruscamente:
— Não me toque. Sou inviolável!” (pág. 330)

Guy de Maupassant nos deixou cerca de 300 contos. Pérolas como Bola de sebo (1880), além de sua aclamada produção de contos fantásticos, a exemplo de O Horla (1887), fizeram com que seu nome figurasse no panteão dos mestres da narrativa curta. Publicou, no entanto, seis romances, dentre os quais se destaca este Bel-Ami (1885), sobre o qual o autor afirmou a um confidente: “Espero que ele satisfaça aqueles que me cobram algo mais extenso.” Maupassant, que recebera forte influência de seu mentor Flaubert, não apenas alcançou seu intento como também inscreveu seu nome, ao lado de seus pares Zola e Turguêniev, na história do grande romance realista e naturalista do século XIX.

O cenário é a Paris da belle époque. A Paris das garçonnières, dos encontros sorrateiros e passeios em fiacre pelas noites que terminavam nos salões efervescentes da metrópole francesa à época do colonialismo. Uma cidade de oportunidades onde o jovem Georges Duroy, recém-chegado da campanha dos hussardos na Argélia, buscará seu lugar ao sol. Por intermédio de seu ex-companheiro de exército, Forestier, ele ingressará no jornal La Vie Française, mesmo sem qualquer experiência com a escrita, e ali lançará mão de sua beleza e de seu irresistível charme junto às mulheres para galgar, degrau a degrau, a escada do poder.

O livro foi lançada de 13/07 pela Editora Estação Liberdade

Tradução de Leila de Aguiar Costa
368 páginas, 14 x 21 cm
ISBN: 978-85-7448-185-2
Preço: R$ 51,00 na Livraria Cultura