Ensaios de Teodiceia...


*Divulgação

Ensaios teológicos de Leibniz, de 1710, “questionam” a bondade divina em obra inédita no Brasil.

Como não atribuir a Deus a responsabilidade por tudo que acontece de mal no mundo? Segundo Leibniz, essa é uma das questões que lançam em uma espécie de labirinto aqueles que adotaram a fé cristã e não conseguem situar a suposta existência do livre-arbítrio em um mundo governado por uma entidade que tudo sabe e tudo vê.

Traduzidos a partir do texto original francês, publicado pela primeira vez em 1710, os Ensaios de Teodiceia constituem um dos panoramas mais precisos de todo o sistema leibniziano, ao buscar determinar os vários caminhos desse labirinto e fornecer o “fio de Ariadne” para que se encontre, enfim, sua saída. (Leia um capítulo no site.)

Fruto da obra de um filósofo que contava com mais de 60 anos à época de sua elaboração, estes ensaios apresentam uma impressionante enumeração de argumentos sobre a “doutrina da justiça divina” — partindo da história da conformação entre fé e razão e chegando à crítica aos tratados de Hobbes sobre a liberdade humana —, examinados com a minúcia de um autor reconhecido por suas fundamentais contribuições para a história da matemática e da lógica.  

O AUTOR
Gottfried Wilhelm Leibniz nasceu em 1646, em Leipzig, onde seu pai lecionava ciências morais; também é ali que ingressa na universidade, em 1661. Em 1664, ele torna-se mestre em filosofia, e dois anos depois forma-se em direito. Na década seguinte, cria o cálculo infinitesimal, origem de suas polêmicas com Isaac Newton, e torna-se membro da Academia de Ciências de Paris. Também foi o responsável por aperfeiçoar a máquina de calcular (invenção de Blaise Pascal), ao torná-la capaz de multiplicar e dividir.

Apesar de ter sido um filósofo com sólida formação universitária, não chegou a ter um pensamento filosófico consistentemente organizado. Mas, grosso modo, postulava que a existência do mundo se dava a partir de uma organização espontânea; que as possibilidades de organização do mundo seriam infinitas, mas que aquela escolhida por Deus é a melhor, de modo que o mundo que temos e no qual vivemos seria “o melhor mundo possível”. Leibniz morre de uma crise de gota em 1716 em Hannover, deixando vasta obra e legado. Dentro deles, destacam-se Discurso de metafísica (1686) e Novos ensaios sobre o entendimento humano (1765). 

OS TRADUTORES

Juliana Cecci Silva bacharelou-se em Letras Português/Francês pela Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da USP em 2004. Tem atuação nas áreas de tradução, produção, preparação e revisão de textos, com passagens pelas editoras Globo, FTD, Ediouro, entre outras.

William de Siqueira Piauí é bacharel em Filosofia pela USP, formado em 1998. Acumula atuações em pesquisa e docência nas áreas de Filosofia e Ciências Humanas. Seu interesse sobre a obra de Leibniz já se desdobrou em diversos trabalhos, dos quais se destaca a tese de mestrado intitulada “Espécies individuais e princípio de individualização na filosofia de Leibniz” (de agosto/2002).

TRECHOS

“Existem dois famosos labirintos onde nossa razão se perde muitas vezes; um diz respeito à grande questão do livre e do necessário, sobretudo quanto à produção e quanto à origem do mal; o outro consiste na discussão do contínuo (continuité) e dos indivisíveis que constituem seus elementos, e no qual deve entrar a consideração do infinito. O primeiro embaraça praticamente todo o gênero humano...” [p. 49]

“O objeto da fé é a verdade que Deus revelou de uma maneira extraordinária e a razão é o encadeamento das verdades, mais particularmente (quando ela é comparada à fé) daquelas em que o espírito humano pode chegar naturalmente, sem ser ajudado pela luz da fé. Essa definição da razão, isto é, da reta e verdadeira razão, surpreendeu algumas pessoas acostumadas a pronunciar contra a razão tomada em um sentido vago. Elas me responderam que jamais entenderam por que lhe atribuímos essa significação; isso ocorre porque jamais discutiram com as pessoas que compreendem claramente essas matérias. Elas me confessaram, entretanto, que não se podia censurar a razão, tomada no sentido que eu lhe dava. [p. 73]

“... um labirinto em que o espírito humano esteve o infeliz Dédalo, e que causou uma infinidade de desordens, tanto entre os antigos quanto entre os modernos, até levar os homens ao erro ridículo do sofisma preguiçoso, que não difere quase nada do destino à maneira turca”. [p. 385]


Editora: Estação Liberdade
Tradução de Juliana Cecci Silva e William de Siqueira Piauí 
16 x 23 cm 
448 páginas
ISBN: 978-85-7448-221-7 
Por  R$ 79,00 na Livraria Cultura*

* Se você realizar a compra do livro por esse link, receberemos uma comissão.