Resenha de The 100: os escolhidos [Distopia não tão distópica assim]

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Séries - imagem divulgação
Acabo de ler "The 100: os escolhidos", de Kass Morgan, (Galera Record). Livro que inspirou a série de mesmo nome. E foi por causa da série que fiquei curiosa para ler o livro.

Comecei assistir a série sem grandes expectativas, buscando apenas entretenimento. Como ela foi lançada na época das vacas magras das séries (Mid-Season), que normalmente não há estreias de qualidade. E ainda mais, por ser uma série para o público jovem, pensei que nada nela poderia me agradar (tudo preconcebido).

Para minha alegria, vários pontos de The 100 me agradaram, principalmente, a forma como foi tratado as questões políticas e sociais. E ainda tem a questão da sobrevivência. Ela lembra Lost Battlestar Galactica. Eu disse lembra.

The 100 conta a história de cem jovens detentos que foram enviados à terra, que estava desabitada por muitos anos, devido a uma guerra nuclear. Esses cem jovens são as cobaias que têm a missão de verificar se já é possível viver novamente no planeta Terra.

Desde a guerra nuclear a humanidade vive em espaçonaves. A necessidade de voltar à terra se deve ao fato de que a população está crescendo e os recursos se esgotando. Ao enviar os 100 delinquentes juvenis à terra, os governantes estão se livrando de gastos inúteis e, ao mesmo tempo, buscando uma solução para a sobrevivência da humanidade.


Sobre o livro. Distopia não tão distópica assim.

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Livro - imagem divulgação
Também li sem expectativas, pois já sabia que se tratava de um livro, como posso denominar, comercial, como muitos que estão na lista dos mais vendidos.

O livro tem vários pontos que podem ser questionados e que irei apontar alguns, mas primeiro vamos elencar os pontos fortes. 

Ah, devo ressaltar que é um livro introdutório, então vamos aguardar o próximo volume.

Cada capítulo tem um dos quatro personagens principais como foco, que vai se alternando a narrativa entre quatros. E os capítulos levam os nomes desses personagens (As Crônicas de gelo e fogo já fez isso). É muito interessante essa estrutura, pois podemos acompanhar a história do ponto de visto de Clarke, Wells, Bellamy e Glass.

A autora também faz uso do flashback (recurso próprio de filmes e séries), por meio de tipografia diferente,  que nos ajuda entender os acontecimentos presentes.

As questões políticas e sociais não são aprofundadas, mas elas estão lá. A sociedade continua sendo baseada na descriminação e na desigualdade.

Na Colônia, como é chamada a estação espacial, as  naves externas, Walden e Arcadia, não têm os mesmos privilégios que existe em Phoenix. Os phoenienses, por exemplo, podem escolher suas profissões. Já os waldenitas, se tiverem bom histórico, podem, no máximo, trabalharem como guardas. A maioria executa os mesmos trabalhos de seus pais.

A narrativa The 100 toca em um ponto importante: viver no espaço não redime o homem. A humanidade, mesmo quase extinta, não encontra o caminho harmônico consigo próprio.

Os pontos fracos.

A autora tinha tudo para desenvolver mais as questões importantes, como, por exemplo, a luta pela sobrevivência, tanto dos que ficaram na estação espacial quantos dos que foram enviados à terra. Mas Morgan prefere se fixar  no romance entre os jovens, nos sentimentos do personagens.

Os cem chegam à terra e ficam no mesmo local em que a nave caiu (a aterrissagem não foi tranquila). Não há neles curiosidade para explorar a vasta imensidão da terra. Como isso é possível?  E olha que Clarke, Wells imaginavam juntos como seria a terra.

Os cem já estavam desnutridos, pois os suplementos alimentares já estavam acabando,  se não fosse Bellamy se dispor a caçar. Ele foi o único que teve a ideia de caçar.  Ninguém pensou em pescar,  em buscar frutas silvestres.

Próximo ao local da queda da nave havia um riacho, onde eles pegavam água. A questão é: não havia peixes? Se havia animais terrestres, mesmo que modificados geneticamente, imagino que também havia peixes.

A personagem Glass, que conseguiu fugir e, claro,  não foi enviada à terra juntos com os demais, é a menos interessante, na minha opinião. O único foco da vida de Glass é o Luke, seu namorado waldenita.

A autora poderia ter explorado mais a personagem Glass, já que ela é o vinculo que o leitor tem com a estação. Por exemplo, Glass poderia ter iniciado uma rebelião, junto com Luke, contra os governantes da Colônia, uma vez que as leis e a execução destas não eram as mais justas.

Para finalizar, só quero dizer  que a decisão de ler o livro ou de assistir a série é sua  você. Só não esqueça: não deixe de ter uma experiência só porque uma pessoa não gostou desse ou daquele livro e/ou série.


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