RESENHA | Sexta-Feira 13: Arquivos de Crystal Lake | Darkside Books


Título: Sexta-Feira 13: Arquivos de Crystal Lake 
Autor: David Grove
Editora: DarkSide Books
Ano: 2015
Páginas: 320
Comprar: Americanas | Saraiva | Submarino
Sinopse: 
Um mito impossível de matar! Você conhece o homem atrás da máscara de hóquei. Há 35 anos, Jason Voorhees é sinônimo de terror. A lenda do assassino foi recontada inúmeras vezes em cinemas, aparelhos de VHS ou em reprises nas madrugadas da TV. Ícone supremo dos slasher films (vá dizer isso pessoalmente para Leatherface, Freddy Kruegger ou Chucky!), Jason tem um currículo imbatível no número de vítimas: 146, desde a última contagem do portal Rotten Tomatoes. Aposto que você sabe tudo sobre ele. Será? Leia o que o astro Kevin Bacon, o diretor Sean S. Cunningham, a donzela Adrienne King, mamãe Betsy Palmer e os rivais Wes Craven e Robert Englund têm a dizer sobre esse clássico. Jason permaneceu calado.

Desde que a Editora Darkside publicou Sexta-Feira 13: Arquivos de Crystal Lake que eu fiquei flertando, flertando até que resolvi me entregar a uma relação intensa. E estou muito feliz. Apaixonada. Esse é um post com muitas fotos.




Vocês têm que sentir a capa desse livro. É perfeita. Cada detalhe do livro: a lombada, a diagramação, o papel, as imagens. Tudo é perfeito!
De onde vem meu amor por Sexta-feira 13? Um filme slasher, um gênero menor. E quem disse que a vida é feita só de filmes cults.

Meu primeiro contato com o filme eu acho que tinha uns onze, doze anos.  Eu sempre tive um lado dark dentro de mim. Sexta-feira 13 me aterrorizou, mas também me fascinou. A cena do Jason saindo do lago me fez pular de medo.


Hoje, o filme já não me causa as mesmas sensações: terror, medo. Mas tem o potencial de me levar para aquela época, onde um menina se encantou com essa parte do mundo do cinema, com todos os seus truques sanguinolentos. Ah, o cinema é tão mágico quanto os livros.

Para quem ainda não sabe do que eu estou falando, Sexta-feira 13 (1980) é um filme sobre um grupo de jovens aspirantes a monitores de um acampamento de verão, chamado Crystal Lake. 24 horas depois todos morrem, um a um (resumo básico).

Mas vamos falar do livro Sexta-Feira 13: Arquivos de Crystal Lake. Essa edição tem capa dura, perfeita. O livro é um tipo de bastidores do filme. Não, melhor dizendo: é um tipo de biografia do filme.

David Grove, o autor do livro, fez entrevistas com todas (ou quase todas) as pessoas que participaram do filme, desde atores, diretores, maquiadores.

Em Sexta-feira 13: Arquivos de Crystal Lake, o leitor vai encontrar relatos de como foi o planejamento, a execução, a filmagem, o legado do filme.

O livro é dividido em 11 capítulos e mais uma parte de extras, que traz a filmografia do elenco que participou do filme, além muitas imagens.

O prefácio foi escrito por Tom Savini, o mesmo profissional responsável pela maquiagem e efeitos especiais do filme. Savini, ao longo do livro, recebe um monte de elogios. Parece, realmente, que o sucesso do filme deve muito ao trabalho desse profissional. Savini trabalhou em um monte filmes sanguinolento.

Como eu já falei, o livro traz entrevistas, ou melhor, as recordações dos envolvidos com o filme. Eles vão contando, dando as versões deles. Ficamos sabendo como foi a escolha do título, que veio primeiro que o roteiro; como foi a escolha do local para filmagem; e como foi a seleção do elenco. Foram quatros semana de filmagens, no acampamento chamado No-Be-Bo-Sco, em Blairstown, Nova Jersey.

Dentre todos os envolvidos com o filme, quem mais fala é Sean Cunningham. O que é o esperado, já que a obra é dele. Já Keven Bacon, o único ator do elenco que conseguiu ter uma carreira de sucesso, aparece muito pouco no livro.

As curiosidades sobre a criação do filme que mais me chamaram a atenção

A inspiração do filme vem do livro “E não sobrou ninguém” de Agatha Christie, que tem como premissa colocar um grupo de pessoas em um local isolado e depois matar um a um. 

Essa fórmula de isolar e matar já tinha sido usada no filme Halloween (1978), por isso há quem compare os dois filmes. Outra coisa interessante é a referência ao filme Psicose, que traz uma mulher como vilã e a famosa cena do chuveiro.

Ainda é possível encontrar, em Sexta-feira 13, referências a outros filmes de terror, como A mansão dos mortos (1971), filme italiano, dirigido por Mario Bava, embora Sean Cunningham negue.

Como gênero menor e com inspiração em estilos já consagrados, não é de se estranhar que Sexta-feira 13 tenha recebido críticas mordazes.

Essas críticas também estão no livro. Uma delas é a do crítico Tim Lucas, que diz: “Eu não vejo Sexta-feira 13 como um fracasso em reproduzir os efeitos estilísticos de Bava, mas como um fracasso em fazer coisa original. Quando olho para trás na minha própria vida de crítico, vejo Tubarão (Jaws, 1975) como o filme de terror que mudou Hollwood, e Sexta-feira 13 como o filme que mudou o horror – ambos para pior.”

Eu poderia continuar aqui falando de vários aspectos do livro, como, por exemplo, como é narrado a relação entre os atores, os membros da equipe. As festas, as drogas. As dificuldade do diretor encontrar uma atriz para interpretar Sra.Voorhees. As dificuldades para encontrar investidores. Bom, mas eu iria tirar do leitor a parte mais interessante do livro e fora que o post iria ficar enorme. 

A única crítica que eu tenho é em relação à estrutura formal que David Grove optou para Sexta-Feira 13: Arquivos de Crystal Lake. Explico: o livro traz versões de um mesmo fato contado por até três pessoas. E isso deixou a leitura um pouco cansativa, pois tem coisas que se repetem. Às vezes um fato que foi relatado no primeiro capítulo é repetido lá no terceiro. 

Sexta-Feira 13: Arquivos de Crystal Lake é indicado para os amantes do gênero terror, mas também é um ótimo livro para quem estuda ou quer estudar cinema, pois o leitor tem muitas informações sobre o processo de produção e até como as cenas foram dirigidas. Se ainda não se convenceu, então compre por causa da capa. Ela é linda.


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