Resenha | Distopia | Kate Willians | Literata | Editora Arwen


Ficha Técnica:
Título: Distopia
Autora: Kate Willians 
Editora: Selo Literata - Arwen
(Manuscrito cedido em parceria com a autora)
Sinopse: 
Novos padrões de convivência foram restabelecidos após a Grande Guerra ter devastado o planeta. Os países, estados e cidades foram quase que inteiramente dizimados. Os sobreviventes encontraram um novo meio de restaurar sua sociedade; dividir as pessoas com base na sua classe social. Os governados e os governantes. Num mundo onde o poderio militar dita as regras, será necessário muito mais do que um exército para impedir que os dois mundos eclodam. Thiago é soldado por obrigação e um Governado por nascença. Laura é filha do Coronel, uma Governante. O que eles não esperavam, é que viveriam um amor capaz de transcender o Regimento. A pergunta que fica é: você iria contra a sua família e sua origem, para viver um grande amor?

Dentre os gêneros literários, o distópico é um dos meus preferidos. Acho que já disse isso mais de uma vez aqui. Eu gosto, principalmente, do fato da narrativa distópica problematizar os danos prováveis à sociedade, caso determinadas tendências políticas-ideológicas vençam.

Eu li o livro Distopia, de Kate Willians (Editora Arwen - Selo Literata) em um dia, pois eu estava ansiosa para saber como a autora desenvolve as questões políticas-ideológicas. E devo dizer que fiquei satisfeita com o resultado, levando em consideração que a obra se destina ao público jovem e o fato de ser um livro de estreia, acho a obra inicia uma boa discussão sobre subjugação, poder, cultura, sociedade. Além, é claro, de ser um ótimo entretenimento

Em Distopia ocorreu uma grande guerra no ano de 2000. O mundo que conhecemos não existe mais. Agora a sociedade vive sob quatro comandos: Norte, Sul, Leste e Oeste. Distopia é uma leitura não linear, com capítulos no tempo atual e o Interlúdio que são flashbacks dos protagonistas crianças, com narração em terceira pessoa.

A história é ambientada no comando Norte. A sociedade vive em um sistema ditatorial fechadíssimo. Quase tudo é proibido. As tecnologias não fazem mais parte da vida das pessoas. Só o alto poder tem acesso a elas. Há os governantes e os governados. E claro, os governados são os pobres, os que sofrem as piores privações.  São os governados que entregam as crianças a partir do sete anos, independente do sexo, ao comando, para serem treinadas.

É no ambiente do quartel de treinamento que vai se desenrolar a maior parte da trama. Kate Willians  optou por colocou a parte mais sombria da narrativa nos treinamentos e isso me agradou muito. E não é o alto escalão do comando o responsável pelos momentos tensos da obra. Acho que podemos dizer que o bem e mal em Distopia não estão claros. Existe os tons de cinzas. 

Outro ponto que me agradou muito foi o fato da autora não ter focalizado demais no romance entre os protagonistas: os adolescentes Laura e Thiago. Ela é a filha do Coronel do Norte. Ele, uma das crianças treinadas. Os dois têm pensamentos revolucionários. Não exatamente com a mesma ideologia.

Thiago sonha e luta por liberdade. Já Laura luta, mas ainda não sabe muito bem o que quer. Ela que ser treinada como as outras crianças para um dia, talvez, se tornar comandante. E aí, então, terá a chance de mudar as coisas. Acho que ela não pensava muito na liberdade do povo.

O desenvolvimento de Laura e Thiago é gradual e crível. Pois nada mais irreal é ver adolescentes de 14 e 16 anos salvando o mundo, enquanto os adultos têm papel secundários. Em Distopia os personagens secundários são fundamentais no desenvolvimento dos protagonistas. E é  com a família de Laura e com os amigos de Thiago que temos as cenas mais leves. Um dos instrutores assume um papel fundamentos na vida das crianças treinadas.

Bom, acima eu pontuei vários aspectos que me agradaram em Distopia. Agora vou destacar pontos que poderiam ser de outra maneira, na minha perspectiva, é claro.

Um dos aspectos que me incomodou foi a repetição de expressões. Uma em particular: “revirar os olhos” é repetida excessivamente. Tem páginas que aparece 3 vezes. Essa expressão já me incomoda em livros traduzidos. Mas sempre acho que são os tradutores que não encontraram palavras na nossa língua que expressasse melhor o que o personagem está sentindo. Mas como não é o caso de Distopia, obra nacional. Acho que Kate precisa encontra palavras diversificadas  para expressar sentimentos. Como o livro está em processo de revisão, acho que isso será resolvido.

Outro aspecto: o desfecho. Acho que a revolução foi muita rápida. Planejar um levante e persuadir ou ter seguidores ideológicos não é algo que ocorra de uma hora para outra. Foram poucas paginas dedicada a esse aspecto.

Por fim, acho que temos em Distopia um vigor criativo, dentro do gênero distopia, abordando temas como amizade, ética, moral. Fique com muita sede de ver aprofundados os temas feminismo e  homossexualidade.

Já elogiei a capa?! Sim, sim, quando anunciei a parceria (aqui). Quando eu vi a capa lembrei da serie The Walking Dead e ao filme Resident evil 3 - a extinção. Distopia será lançando em breve pelo selo LiterataEditora Arwen, nossa parceira.

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