Resenha || A Garota que Tinha Medo | Breno Melo | Editora Chiado


A Garota que Tinha Medo

Breno Melo

Editora: Chiado
Número de Páginas: 280
Ano: 2014
Avaliação: ★★★
Sinopse: - Marina é uma jovem que faz tratamento para a síndrome do pânico. Às voltas com o ingresso na universidade, um novo romance e novas experiências, Marina tem seu primeiro ataque de pânico. Sua vida vira de cabeça para baixo no momento mais inapropriado possível e então psiquiatras e psicólogos entram em cena. Acompanhamos suas idas ao psiquiatra e ao psicólogo, o tratamento farmacológico e a psicoterapia. Ao mesmo tempo, conhecemos detalhes de sua vida amorosa e sexual, universitária e profissional, social e familiar na medida em que elas são marcadas pela síndrome. Um tema atual. Uma excelente obra tanto para conhecimento do quadro clínico como entretenimento, narrada com maestria e de uma sensibilidade notável.“Eu era uma chaleira que apitaria cedo ou tarde. Seria bom que alguém abrandasse o fogo.”
 Marina tem dezoito anos e sofre com as pressões de passar na universidade, lutar contra problemas familiares e principalmente lutar contra um medo infernal: a síndrome do Pânico. Conhecemos toda a sua rotina de emoção, insegurança e a tentativa de manter o controle diante de todo esse stress.

“Quase ninguém está preparado para se olhar no espelho. A maioria arrancaria os olhos ou quebraria o espelho. Eu quis fugir após a segunda ou terceira sessão, mas não podia. Eu tinha que estar ali para meu próprio bem.”

O seu pai adota uma postura distante e a sua mãe é autoritária e controladora. O resultado disso se reflete na personalidade de Marina, uma garota perfeccionista e controladora. Extremamente ligada aos preceitos religiosos e dogmáticos, sob influência da mãe. Marina é carente e com um baixa auto estima.

O quadro se agrava dia a após dia. Marina tem surtos de Pânico deliberadamente. Os seus pais ainda não sabem de fato o que está acontecendo. A menina vai ao médico e é diagnosticada com a Síndrome do Pânico. Ela começa o tratamento e é na blogosfera que ela encontra um refúgio para compartilhar com amigos e internautas sua história. Como conviver com uma doença que não tem cura? Marina consegue superar e se estabilizar?

“Você não sabe nada sobre a síndrome do pânico? À parte todo o seu desconhecimento, tenha ao menos um bom coração. Esse já é metade do conhecimento de que você precisa. A bem dizer, sem amor, todo o seu conhecimento sobre a síndrome se torna inútil.”

A narrativa se passa na cidade de Assunção, no Paraguai. A menina mora com os pais e sofre uma pressão imensa por parte da mãe para passar em uma das seis universidades. Ficamos a par de todo o contexto histórico e cultural da cidade. Em alguns momentos, Marina compara o seu drama com personagens da bíblia e literatura de modo particular.

O confronto entre a fé e razão, lembra muito as aulas de história sobre a igreja. O enredo é em 1º pessoa, com forte evidências psicológicas da personagem principal. Marina não se isola do mundo de uma hora para outra, mas gradativamente, ela tem surtos em locais públicos, e isso não a deixa bem. Ela se aprisiona em uma masmorra de sentimentos confusos e impossíveis.

O Breno tem uma escrita brilhante e detalhada, garantindo que a história não seja previsível, mas surpreenda o leitor capitulo após capitulo. A inteligência somada ao conhecimento do autor, sobre esse tema, nos possibilitou embarcar a fundo na trama para conhecer a síndrome do Pânico e o que a garota sentia. A intensidade da leitura é incrível, uma verdadeira montanha russa de emoções e valores.

A capa e a diagramação são intrigantes. A fonte é adequada e as folhas amareladas nos deixam ainda mais apaixonados. A garota que tinha medo é um livro envolvente, inquietante, esclarecedor e impactante. Transforma a quem lê e nos faz refletir sobre os valores sociais e pessoais. Recomendo a leitura para aqueles que desejam conhecer sobre o assunto e leitores que se apegam com leituras intensas como essa.
“Quem supera seus medos é mais corajoso que aquele que nunca os teve ou jamais os enfrentou.”
“Eu tentava ser perfeita e não me adaptava a uma realidade imperfeita, cheia de buracos e lacunas. Meus pensamentos eram fixos, limitados, e eu não me adequava a esse mundo, mas, ao contrário, tentava adequá-lo a mim.”

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