Resenha || Pulp | Charles Bukowski | L&PM Editores


Pulp

Charles Bukowski

Título Original: Pulp
Editora: L&PM Editores
Número de Páginas: 175
Reimpressão Ano: 2015
Avaliação: ★★★
* Livro cedido em parceria com a editora.
Sinopse: A saga de Nick Belane poderia até ser igual a de tantos outros detetives de segunda categoria que perambulam pelas largas ruas de Los Angeles. Mas aqui, mulheres inacreditáveis cruzam pernas compridas e falam aos sussurros, principalmente uma que atende pelo nome de Dona Morte.
Eu sempre quis ler Bukowski, o velho safado, pois sempre leio críticas positivas sobre suas obras. Também sempre ouvi falar o quanto o autor não suportava a ideia de viver dentro das regras da sociedade. Eu confesso que isto me atraiu ainda mais para suas obras.

Lendo sua biografia, descobrir que Bukowski passou boa parte de sua vida adulta andando por bares e metendo-se em brigas. Bukowski nasceu na Alemanha, mas viveu boa parte de sua vida em Los Angeles, onde suas obras são ambientadas. E que todos os seus livros tem muito da vida do próprio autor.

Mas não pense que a Los Angeles de Bukowski é cheia do brilho de Hollywood, dos red carpets do cinema. Não, não a Los Angeles de Bukowski expõe a parcela da sociedade americana que vive à margem; uma sociedade que trabalha por um salário medíocre e que se afunda cada vez mais no consumo e no poder da mídia massificadora.

Em Pulp, da coleção L&PM Pocket, Bukowski faz uma homenagem ao gênero Pulp Fiction, que inclusive eu já falei desse gênero aqui no blog. Pulp foi o último livro escrito pelo o autor.

Pulp Fiction– também chamada de Pulp Era  – surge por volta dos anos 20 do século XX, em que há uma intensa produção e consumo de histórias de terror e de fantasia.

O gênero Pulp era considerado uma subliteratura, pois as narrativas não eram consideradas de boa qualidade, segundo a sociedade literária. Mas o interessante é que as revistas desse gênero eram muito popular, pois podia ser comprada por apenas alguns centavos de dólar.

Pulp traz uma história simples, mas com trama intrigante, pois traz elementos surreais como alienígenas e símbolos enigmáticos, entre eles a morte. 

Em Pulp, temos o detetive particular Nick Belane. Los Angeles é o cenário.  Belane tem um escritório decadente, sujo, com goteiras. Além disso, com o aluguel atrasado. Ele praticamente não tem trabalho, mas um dia Belane é contratado por uma mulher estonteante, que diz se chamar Dona Morte. Esta cliente misteriosa o contrata para procurar Céline, outro personagem peculiar. Na verdade todos os personagens têm características muito próprias.

Depois de começar a trabalhar para Dona Morte, outros trabalhos investigativos surgem para o detetive Belane. Em um desses casos, ele é contratado por um marido, em que Balene dever investigar uma possível traição da esposa cliente. 

Já em outra caso, ele deve encontrar o Pardal Vermelho, que Belane nem ao menos sabe se é uma pessoa ou um pássaro. No outro caso ele precisa descobrir uma possível conspiração alienígena.

Ao longo da trama, vamos vendo que há ligações entre todos os casos investigativos. Mas o curioso é como se dá a investigação de Belane. Parece que ele não segue nenhum critério profissional. Belane, na verdade, enrola os clientes, dizendo que as investigações vão indo bem, quando na verdade ele não tem nada de novo. E os casos são resolvidos meio que por pura sorte.

Eu gostei muito de ler Pulp. É uma leitura que a gente encontra de tudo um pouco: linguagem debochada, irreverente. O humor e a ironia são elementos tão bem trabalhos, dando qualidade aos elementos inverossímeis da narrativa. Os elementos surreais a gente pode interpretar como sendo em parte uma metáfora da morte do Bukowski. Também é uma leitura super rápida e muito divertida.

0 comentários:

Postar um comentário