Resenha || Bom dia Sr. Mandela | Zelda la Grange | Novo Conceito


Bom Dia, Sr. Mandela

Zelda la Grange

Gênero:  Biografia
Editora: Novo Conceito
Número de Páginas: 432
Ano: 2015
Avaliação: ★★★ ★★
* Livro cedido em parceria com a editora.
Sinopse: Bom Dia, Sr. Mandela conta a extraordinária história de uma jovem que teve suas crenças, preconceitos e tudo em que sempre acreditou transformados pelo maior homem de seu tempo. A incrível trajetória de uma datilógrafa que, escolhida para se tornar a mais leal e devotada assessora de Nelson Mandela, passou a maior parte de sua vida trabalhando ao lado do homem que ela passaria a chamar de Khulu , ou avô.
'' Esta não é a sua história. É a minha história, e estou feliz com ela. Mas o leitor pode ficar desapontado se espera que eu lave muita roupa suja em público. Eu não desrespeitaria a confiança que Nelson Mandela depositou em mim. Essa é a maior honraria que ele poderia ter me oferecido - confiar em mim -, e eu pretendo prezar isso pelo resto da minha vida. O que decidi contar, e o que decidi omitir, no que lhe diz respeito, é baseado nessa confiança.''

Zelda La grande é autora do livro Bom dia Sr. Mandela, publicado pela Editora Novo Conceito. De um modo singelo e convincente, ela nos descreve a sua convivência com o grande Nelson Mandela. Inicialmente ela faz algumas considerações à respeito das suas dificuldades, dos seus gostos, e coloca algumas considerações sobre a obra, incluindo o seu ponto de vista. Não se trata de uma história sobre Nelson Mandela, mas sim a história de vida de Zelda e sua convivência com ele.

Zelda foi a secretaria particular do Khulu ( como ela costumava chamar em africâner que significa Avô), de modo simples e marcante ela detalha as mais diversas situações e lições apreendidas nos quase vinte anos que trabalhou para ele.
''... é que você tem de prestar contas a uma pessoa apenas, que é você mesmo. Você tem que ir para a cama todas as noites com seus pensamentos e sua consciência...''

É tocante, quando ela narra seu primeiro encontro com ele, pois a criação que os pais deram para ela, é que ele era mais um que queria prejudicar aos brancos (uma dica é ler sobre ao apartheid). E esse momento é crucial, pois ela percebe que aquele homem é muito melhor do que diziam, ou opiniões alheias colocadas.

Pelo tempo em que conviveram juntos, Zeldina, chamada assim pelo Khulu, foi o seu braço direito. Ao decorrer dos capítulos, fica evidente que essa relação entre eles só cresce. La grande, não deixa passar desapercebido a sua preocupação em nos contar tudo que aprendeu com Nelson, e tentou ensinar a outras pessoas também.

''Sou uma bilionária emocional, e, se mais nada extraordinário acontecer no resto de minha vida, ainda estarei contente com essas lembranças até o dia da minha morte. Tive um vida rica. A maioria das pessoas jamais experimentará o que testemunhei, portanto minha história é de transformações, de lentas metamorfoses mentais e do sistema de crenças onde me encontro hoje.'' (chorei com essa frase!)

Ao decorrer dos capítulos, captamos pontos cruciais, de modo individual, da vida de cada um, os acertos e as falhas, os preconceitos vencidos, as viagens em que ambos fizeram. E, a medida que o tempo ia passando, Zelda nos confirma, a dificuldade que Mandela tinha para se locomover, ir a lugares mais remotos, e que mesmo assim ele continuava com um sorriso no rosto, e seguia sempre trabalhando pelo seu povo.

Zeldina se demonstra comprometida e organizada em tudo que fazia, parte do seu tempo ela sempre dedicou ao seu trabalho, e se esforçava, já que Mandela dependia do seu esforço nas mais diversas decisões. E, os maiores desafios, exigem comprometimento, tempo e escolha.

Tem livros que são divinos, sabe? Que nem mesmo se você colocar em palavras, seria possível descrever o tanto de historicidade e grandeza trazido por um simples homem africano, que foi repudiado pelo seu povo, e ainda sim, não desistiu da sua luta, e tornou-se o presidente deles.

O enredo é convincente e inspirador, podemos retirar lições valiosas, em cada momento que Zelda conviveu com o Nelson Mandela. Desse modo, há muito que ser compartilhado e dito, um texto apenas como esse, não seria possível para descrever tantos sentimentos e reflexões feitas. Recomendo a história a partir do público mais jovem, com interesses sobre a história do povo africano, e não apenas isso, mas poder acompanhar de perto, os momentos vividos por uma simples secretaria, que também mudou a vida de Kluhu.
''... ao decidir perdoar você não apenas libera o oprimido como libera o opressor.''

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