Resenha || A Irmandade Perdida | Anne Fortier | Arqueiro


A Irmandade Perdida

Anne Fortier

Título Original: Lost Sisterhood
Editora: Arqueiro
Número de Páginas: 528
Ano: 2015
Avaliação: ★★★★
* Livro cedido em parceria com a editora. 
Sinopse: Diana Morgan é professora da renomada Universidade de Oxford. Especialista em mitologia grega, tem verdadeira obsessão pelo assunto desde a infância, quando sua excêntrica avó alegou ser uma amazona – e desapareceu sem deixar vestígios. No mundo acadêmico, a fixação de Diana pelas amazonas é motivo de piada, porém ela acaba recebendo uma oferta irrecusável de uma misteriosa instituição. Financiada pela Fundação Skolsky, a pesquisadora viaja para o norte da África, onde conhece Nick Barrán, um homem enigmático que a guia até um templo recém-encontrado, encoberto há 3 mil anos pela areia do deserto. Com a ajuda de um caderno deixado pela avó, Diana começa a decifrar as estranhas inscrições registradas no templo e logo encontra o nome de Mirina, a primeira rainha amazona. Na Idade do Bronze, ela atravessou o Mediterrâneo em uma tentativa heroica de libertar suas irmãs, sequestradas por piratas gregos. Seguindo os rastros dessas guerreiras, Diana e Nick se lançam em uma jornada em busca da verdade por trás do mito – algo capaz de mudar suas vidas, mas também de despertar a ganância de colecionadores de arte dispostos a tudo para pôr as mãos no lendário Tesouro das Amazonas. Entrelaçando passado e presente e percorrendo Inglaterra, Argélia, Grécia e as ruínas de Troia, A irmandade perdida é uma aventura apaixonante sobre duas mulheres separadas por milênios, mas com uma luta em comum: manter vivas as amazonas e preservar seu legado para a humanidade.

Mirina é uma jovem caçadora do norte da África, na Idade do Bronze Tardia. Ela e sua irmã, Lilli, acabam de chegar de uma longa viagem à procura de caça quando se deparam com destruição, doença e morte na pequena aldeia onde moram. Sua casa foi queimada ainda com sua mãe dentro, e tudo o que resta são cinzas e o bracelete de bronze que sua mãe usava, e que encontrou entre as ruínas. 

As pessoas da vila, antes seus amigos, acusam a mãe de Mirina de bruxaria e, por consequência, as meninas não são mais bem-vindas ali. Tudo o que podem ver são pessoas doentes. As saudáveis nada podem ver, já cegas pela raiva e desespero. 

Munidas apenas com coragem e determinação, as duas partem em viagem para encontrar o templo da Deusa da Lua, como a mãe delas havia pedido caso algo ruim acontecesse. As provações começaram cedo e as duas passaram fome e frio, além de terem contraído uma febre que deixa a pequena Lilli cega. Ao encontrarem o templo elas vêem, porém, que a luta estava longe de terminar.

Inglaterra - Dias atuais. 
Diana Morgan é filóloga e especialista em mitologia grega. Professora na Universidade de Oxford ela tem verdadeiro fascínio pela antiga nação de guerreiras dessa mitologia, as Amazonas. Essa sua obsessão começou com sua vó, que alegava ser uma amazona, antes de desaparecer sem deixar vestígio algum. 

Depois de uma apresentação frustrante de um de seus artigos, Diana recebe uma oferta de um homem misterioso no meio da rua para ajudar a decifrar inscritos em um templo recém-descoberto no norte da África. Exitada com a ideia de aventura e energizada pela curiosidade sobre o templo que pode ter alguma relação concreta com as amazonas, o que alavancaria de vez a sua carreira, Diana aceita a tarefa. É durante a viagem que ela conhece Nick Barrán, um homem que chama sua atenção e se prova um mistério ainda mais difícil de desvendar.

Com a ajuda de um caderno que sua vó lhe deixou, Diana logo decifra os inscritos do local, encontrando um verdadeiro tesouro em fatos históricos que a colocam de vez no encalço das amazonas. Mas parece que ela não é a única interessada no assunto; colecionadores de arte e terroristas começam a persegui-la atrás de respostas.

Começa assim uma aventura perigosa e inesperada, regada de reviravoltas emocionantes e intensas revelações que sobreviveram à milênios, mas que agora podem enfim ter um final.
"As pessoas tentam catalogar você em um ponto do mapa e pintar você de certa cor para simplificar as coisas. Só que o mundo está longe de ser simples, e seres humanos inteligentes não gostam de ser catalogados e pintados pela mão de ninguém, seja ele deus, padre ou político."

Neste novo romance, Anne Fortier leva sua criatividade a um novo patamar. Ao abordar as amazonas como assunto principal ela não está só inovando, como sacudindo de vez a literatura moderna. Munida com um  impressionante conhecimento em mitologia, arqueologia, geografia e história em geral, Fortier leva o leitor da   Idade do Bronze aos dias atuais com destreza e simplicidade, unindo presente e passado com sensibilidade, despertando o leitor e nos apaixonando cada vez mais a cada virar de páginas. 

Já conheço sua escrita, sua "fórmula" por ter lido seu romance mais famoso, Julieta, que também possui um embasamento histórico de ótima qualidade.

Em A Irmandade Perdida possuímos duas visões, em tempos e costumes diferentes. Em terceira pessoa acompanhamos a corajosa Mirina e sua emocionante trajetória regada de tragédias, crueldade e um romance imprevisto. 

Em primeira pessoa conhecemos  e acompanhamos as aventuras de Diana em busca de respostas para as perguntas que a acompanham desde sua infância.

Intrigas, mentiras, mistérios, romances inesperados e um final maravilhoso; a "fórmula" da autora continua a mesma de seu romance anterior. Isso é ruim? Definitivamente não. Essas características são unidas com originalidade na escolha do enredo e nos cenários mágicos descritos com maestria. 

Sobre a construção dos personagens; acho que nesse ponto a autora pecou um pouco. Não consegui ter empatia pela Diana até quase metade do livro, o que acabou arrastando um pouco a leitura. Além disso a relação dela com Nick Barrán acabou evoluindo de forma rápida demais, faltando profundidade e feita de "uma hora pra outra", o que me causou surpresa. 

Mirina é uma personagem extremamente forte, decidida e independente. É amorosa e também racional. Luta com força e destreza e protege àqueles que ama com unhas e dentes, literalmente. A primeira rainha das amazonas. Talvez a melhor personagem de Anne Fortier, que a "recriou" com muita firmeza e riqueza em detalhes.

O final foi lindo, intenso e fechadinho, sem pontas soltas para confundir o leitor. Não me surpreendeu, mas nada deixou a desejar. São 528 páginas de puro encanto.

A tradução ficou ótima, e foram poucos os problemas de revisão que encontrei. Definitivamente nada que atrapalhasse a leitura. A capa é lindíssima e tem tudo a ver com a estória.

Apesar dos pontos negativos já ressaltados, A Irmandade Perdida é um livro rico, detalhado e preciso. Leitura obrigatória para os fãs do gênero, ou, como no meu caso, para os fãs de Julieta, também publicado pela Arqueiro. 

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