Resenha || Uma vida para sempre | Simone Taietti


Uma Vida Para Sempre

Simone Taietti

Editora: Talentos da Literatura Brasileira - Novo Século
Número de Páginas: 352
Reimpressão Ano: 2014
Avaliação: ★★★ ★
* Livro cedido em parceria com a autora.
Sinopse: Ethel diz estar morrendo. Contudo, não afirma isso apenas em razão de sua doença. Talvez a única certeza de nossa existência seja a morte, o fato de que ela chega para todos. Mas nem por isso deixa de ser a maior incógnita da vida. Em um hospital, em meio à dor das histórias dos pacientes, Ethel encontrou amigos. Entre passeios em cemitérios, frequentando velórios e enterros de estranhos, ela tenta preparar a si e aqueles que ama, para o que parece estar ali tão próximo, o fim. Entretanto, não esperava enfrentar algumas surpresas que a fizessem duvidar de tal preparação. As estatísticas ruins, a inexorável passagem do tempo. Onde reside a lógica disso que nos arranca pedaços, da súbita inexistência do que outrora era vívido e pulsante? Um corpo que jaz. Palavras que se perdem. A finitude de tudo o que é tão belo talvez seja a maior dor do mundo. Uma vida para sempre é um compilado de desejos, pensamentos e dias. Quanto dura o para sempre? Ethel descobriu.

 Ethel é a protagonista do livro Uma vida para Sempre, uma garota diferente em todos os sentidos, sejam eles físicos ou psicológicos. Ela é portadora de uma doença muita rara CIPA (Insensibilidade Congênita à dor com Anidrose) em que não sente dor alguma, seus sentidos não reagem neste aspecto.
A quantidade de horas ou de dias não é o primordial e sim o que fazemos desse tempo, de que forma nos ocupamos dele.

Não apenas pela doença, mas pelo jeito de levar a vida Ethel consegue nos tocar profundamente. Ela procura viver um dia após o outro e sempre se questionou sobre: “Quanto dura um para sempre?”, já que na visão dela, ela sabia que a morte um dia chegaria e teria que estar preparada.

Sua mãe ao contrário, tentava manter Ethel em uma bola, para que nada de ruim acontecesse com a filha. Uma mulher protetora, com o desejo de que a sua filha tivesse uma vida normal, amigos saudáveis. Com este pensamento, ela acreditava que Ethel teria uma chance de viver um pouco mais.

De fato, sempre foi uma grande ilusão acreditar que, de alguma forma, podemos nos preparar para dizer adeus a quem amamos.
Nos dias em que a menina ia para o hospital ( para a fisioterapia) , era a sua maior alegria. O seu jeito possibilitou fazer muitas amizades naquele lugar, mas não deixava sua mãe saber, já que o desejo maior da mãe era que sua filha ficasse o tempo mínimo possível no hospital.

Em um dia comum, Ethel foi ao hospital mas antes de ir para fisioterapia, resolveu visitar um de seus amigos. Daí vem a pior noticia: ele havia falecido. A garota ficou transtornada e sem chão, questionou-se o tempo inteiro sobre o por que? de um garotinho como ele morrer tão cedo, mas mesmo assim ela não reclamava, e sim procurava olhar o lado bom.

Neste mesmo dia ela conheceu Victor, que estava se escondendo por ali mesmo. O menino tem leucemia e estava por ali porque não queria fazer uns enxames. Ele sabia que precisava, pois era chegado a hora de fazer o transplante de medula óssea.

Ethel e Victor a partir desse dia ficam unidos, uma amizade benéfica que mudou a visão de ambos os lados. O garoto se internou para fazer o transplante mas pediu para Ethel o visitasse todos os dias. Dia após dia ele ficaram próximos, nascia não apenas uma grande amizade, mas algo estava acontecendo entre os dois. Será que Ethel conseguiria retribuir esse sentimento?

De fato, Victor muda a visão de Ethel em vários aspectos e vice versa. Ao ler o livro, não enxerguei apenas o romance entre as personagens mas como olhar para a vida sempre de um jeito bom, mesmo com todas as razões para desistir de viver, Ethel não perdia a esperança nas coisas simples, nem mesmo nos momentos em que as questionava.

Simone constrói um enredo reflexivo nos fazendo pensar que tudo seria mais fácil se extraíssemos o lado bom de cada problema e que a felicidade só depende de cada um. E desse modo, podemos compartilhar aquilo que amamos com os amigos, os pais, em todos os relacionamentos.

Cada capitulo me fez entender o quão é simples apreciar aquilo que temos, e não reclamar tanto de determinados problemas ou dificuldades que nos aparecem. E assim, Ethel e Victor traduzem a mensagem de que é possível viver intensamente sem reclamar o tempo inteiro.

A diagramação, a capa e as páginas completam a simplicidade e ao mesmo tempo complexidade da trama. Uma vida para sempre é o tipo de livro em que não se ler por lê, mas sim aquele enredo em que cada personagem deve ser sentido e as atitudes dele sempre trará uma reflexão, um sentimento que nem sempre é obvio como em outras narrativas que já li.

É isso. Essas coisas tão ínfimas. Estes curtos segundos e pequenas ações que parecem não possuir sentido algum. Mas, que são grandes. E trazem beleza aos dias monótonos. E nos marcam para toda a existência.

Recomendo a obra para todos os públicos sem exceção, de modo em que sua mente esteja aberta para viver as maiores emoções e chorar sem medo.

A gente vive desejando o que não pode ter. Acho que apesar de todos os planos que fazemos, todos temos a plena consciência de que nada sairá como planejado. É sempre assim. As coisas simplesmente não acontecem como desejamos.

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