Resenha || A menina da neve | Eowyn Ivey | Novo Conceito


A menina da Neve

Eowyn Ivey

Título Original: The Snow Child
Gênero: Drama e fantasia
Editora: Novo Conceito
Número de Páginas: 352
Ano: 2015
Avaliação: ★★★ ★
* Livro cedido em parceria com a editora.
Sinopse: Alasca, 1920: Um lugar especialmente difícil para os recém-chegados Jack e Mabel. Sem filhos, eles estão se afastando um do outro cada vez mais ele, no duro trabalho da fazenda, ela, se perdendo na solidão e no desespero. Em um dos raros momentos juntos durante a primeira nevasca da temporada, eles fazem uma criança de neve. Na manhã seguinte, ela simplesmente desaparece. Jack e Mabel avistam uma menina loira correndo por entre as árvores, mas a criança não é comum. Ela caça com uma raposa-vermelha ao lado e, de alguma forma, consegue sobreviver sozinha no rigoroso inverno do Alasca. Enquanto o casal se esforça para entendê-la uma criança que poderia ter saído das páginas de um conto de fadas , eles começam a amá-la como se ela fosse filha deles. No entanto, nesse lugar bonito e sombrio, as coisas raramente são como aparentam ser, e o que aprendem sobre essa misteriosa menina vai transformar a vida de todos eles.

Eu sou apaixonada pela literatura russa. Apesar de, aqui no blog, ainda não ter resenhas dos clássicos russos. Isso é uma missão para 2016, voltar a resenhar os clássicos.

E quando eu descobri que A menina da neve se baseia no conto russo, muito antigo, "Snegurochka" "The Snow Maiden", que há varias versões eu fiquei realmente empolgada com o livro. E tem ainda essa capa linda.  
A história da criança da neve é tão importante na Russa quanto os contos clássicos são para nós, como Chapeuzinho Vermelho, João e Maria.... etc. Assim como os contos que conhecemos, "The Snow Maiden" veio da tradição oral, por isso há várias versões, mas sempre com um ponto em comum. E, também, como nos contos clássicos, não há essa de versão verdadeira. O que existe é a versão de tal autor.
Bom, mas vamos à resenha de A menina da neve, Eowyn Ivey, Editora Novo Conceito.

A narrativa tem inicio no ano 1920. O casal Jack e Mabel se muda para o Alasca. Eles querem começar uma nova vida, longe de barulho de crianças, das perguntas indiscretas da família e amigos. Não é que eles não gostem de crianças, mas é que eles ainda não superaram uma perda dolorosa. Esse é o trama do casal.

Bom, mas o inicio da vida no Alasca não é nada fácil. Eles moram numa cabana rústica; o inverno é rigoroso demais; o vento frio entra pelas frestas das tábuas; é preciso acumular comida para época do inverno, que dura meses; não há ninguém por perto; os vizinhos moram a uma distância considerável. Esses são alguns dos desafios que Jack e Mabel enfrentam.  

A vida do casal ganha calor e cor quando, em uma noite de nevasca, eles constroem um boneco de neve, ou melhor, uma menina de neve. No dia seguinte, começa um mistério que permeará todo o restante do enredo.

Jack e Mabel começam a receber a visita de uma menina que anda sempre com uma raposa. Essa menina, aparentemente, não tem família. Vive sozinha na floresta. Aparece e desaparece.


A menina da neve tem uma proposta de enredo instigante: drama e fantasia. E a obra tem vários pontos altos, mas também tem pontos que não chega empolgar o leitor. O casal Jack e Mabel é apático na maior parte da narrativa. Eu não consegui me sensibilizar com o drama do deles. Até porque é um drama muito usado pelos escritores.E olha que Eowyn Ivey  tenta ao longo do livro tocar o coração do leitor.


Os dois só se tornam interessante com a interação com os outros personagens, principalmente, com a menina da neve, Faina. Bom, eles conviveram por anos com Faina, mas nunca conseguiram entender a essência dela. Em alguns momentos eles queriam domesticá-la, digamos assim. E isso me incomodou em vários momentos. Em outros momentos, eu queria que eles tivessem dado mais força para Faina. Mas eles apresentaram um discurso pessimista.

Os outros personagens que deixaram a história mais envolvente foram: Garret e sua mãe, Esther. Garret é um personagem que tem um papel importante, tanto na vida do casal quanto na vida de Faina. A relação de Garrret e Faina é envolvente, é mágica e comovente.

Já Esther é uma mulher sem tempo para dramas, é direta com as palavras e adaptada à vida em um ambiente hostil. Um ótimo contra ponto em relação a Mabel.

Como eu já falei antes, o drama do casal não é o ponto alto do livro e sim a história e os mistérios que envolvem Faina. E o mais legal é que a autora não destrói a mágica do conto que se baseia. A final é digo de histórias mágicas. Cada leitor terá que fazer sua interpretação. 

O livro é narrado em terceira pessoa. Aquele narrado não sabe nada da vida de Faina. Ele só foca na personagem quando ela está se relacionado com outros personagens.

A escrita é Eowyn Ivey é mais elaborada do que a maioria das obras contemporânea, best-sellers. No entanto, ela traz uma linguagem direta, praticamente não há inversões.

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