Resenha || A Dama de Papel | Catarina Muniz | Universo dos Livros


A dama de papel

Catarina Muniz

Gênero: Ficção
Editora: Universo dos Livros
Número de Páginas: 256
Edição: 2015
Avaliação: ★★★ 
* Livro cortesia da Universo dos Livros
Sinopse: Localizado na zona periférica de Londres em meados do século XIX, o bordel de Molly está sempre repleto de fregueses: ricos e pobres, magnatas e operários. O que nenhum deles sabe – nem mesmo as outras trabalhadoras do estabelecimento – é que a dona do prostíbulo optara por ser “mulher da vida fácil” após fugir de um casamento forçado, abrigando-se nas entranhas de um cortiço na busca indelével por liberdade. Certa vez, no entanto, Molly é inebriada pelas propostas de um cliente: Charles O’Connor, o herdeiro de um império têxtil, deseja que ela seja somente sua. Molly, arrebatada pelas sensações provocadas pelo novo amante, se vê obrigada a questionar o modo de vida que conduzira com orgulho até então, além de testar os limites da liberdade obtida a duras penas. Entregues à avassaladora paixão e à incrível química sexual que os unem, Molly e Charles precisarão enfrentar as represálias sociais e a moral conservadora da época para dar continuidade a este amor proibido. Mas terão de pagar um preço alto por suas decisões.
No contexto londrino do século XIX, a autora Catarina Muniz narra de maneira forte e ao mesmo tempo muito delicada a história da prostituta Molly, uma mulher que possui atrativos capazes de seduzir homens de todas as idades e classes sociais com sua liberdade. Liberdade que fez Molly pagar um preço muito alto, mas que ela estava disposta a não abrir mão. 

Ao contrário do que se esperava para uma prostituta naquela época, Molly vinha de uma família tradicional. Seu nome verdadeiro era Melinda Scott Williams – a filha mais velha de uma família pertencente à Burguesia. E de repente quando descobrimos todas essas informações vem aquele nó na cabeça: O que levaria essa moça a largar o conforto e o luxo para viver miseravelmente na prostituição?

A resposta é simples: Melinda não suportava a ideia de sentir-se presa sob as ordens de alguém, mais precisamente de um marido. A normalidade da época com os casamentos arranjados como parte de um negócio lucrativo fez Melinda ser prometida a Albert, um importante financeiro da época. Entre casar com ele e perder a sua liberdade e fugir de casa sem saber o que a aguardava, Molly preferiu a segunda opção e foi parar por acaso no prostíbulo que agora era proprietária.

Molly aprendeu aos poucos a usar a sua ousadia e liberdade sexual, embora não tenha sido fácil, ela aprendeu. E se tornou a ‘mulher de vida fácil’ mais procurada do local, justamente por ser indomável, por não ser a mulher a que os homens estavam acostumados.

Sua fama se espalhou e foi por meio de informações e narrativas detalhadas de alguns clientes sobre as habilidades de Molly na cama que Charles O’Connor chegou até ela. Charles era um advogado inteligente, educado e charmoso, marido e pai, empresário no ramo da indústria têxtil. Ele e Molly viveram de início, relações em que apenas o prazer estava em jogo. Charles era apenas mais um cliente que pagava e recebia pelo serviço.

As visitas do empresário se tornaram cada vez mais frequentes. Ele estava se envolvendo cada vez mais com a prostituta, e não sabia como fugir da forte ligação que tinha com ela. A relação dos dois passou a ficar mais intensa. Molly sentia por Charles o que nunca sentiu por nenhum outro cliente. Ele se envolveu tanto que a paixão foi ficando até meio doentia, os ciúmes que tinha dela o levava muitas vezes a sair de si, querendo que Molly fosse só sua. Mas, convenhamos, nem mesmo uma grande paixão a faria abrir mão da liberdade de ser dona de si.
"Molly levantou e, devagar, aproximou-se dele. Olhou no fundo do mar azul daqueles olhos. Como era sublime tê-lo por perto novamente. Como era gratificante odor do seu hálito, sua barba, seus cabelos". 
Esse foi só o começo do romance erótico nada clichê e nem um pouco vulgar ou apelativo. A narrativa vai ficando mais interessante a cada capítulo. Catarina soube descrever com precisão o contexto inglês em que os personagens viviam, o que julgo ser muito importante, e também as cenas de sexo, nada muito explícito e nem vago demais, na medida certa.

O livro deixou bem claro as questões de gênero. E, para mim foi bem marcante, pois foi dada uma ênfase aos papeis que eram destinados às mulheres da época. Enfim, o livro me surpreendeu muito! Fiz uma leitura rápida sem nenhuma dificuldade com a escrita da autora. Por isso, indico esta leitura para quem curte um romance que não seja apenas doce e morno, e prefira as histórias de amor mais ousadas. É bom deixar claro que as cenas de sexo são intensas, por isso não indicaria para menores de 16 anos. Boa leitura! 

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