Resenha || A Voz do Arqueiro | Mia Sheridan | Arqueiro


A voz do Arqueiro

Mia Sheridan

Título original: Archer's Voice
Gênero: Romance
Editora: Arqueiro
Número de Páginas: 336
Ano: 2015
Avaliação: ★★★ ★★
* Livro cedido em parceria com a editora
Sinopse: Cada livro da coleção Signos do Amor é inspirado nas características de um signo do Zodíaco. Baseado na mitologia de Sagitário, A voz do arqueiro é uma história sobre o poder transformador do amor. Bree Prescott quer deixar para trás seu passado de sofrimentos e precisa de um lugar para recomeçar. Quando chega à pequena Pelion, no estado do Maine, ela se encanta pela cidade e decide ficar. Logo seu caminho se cruza com o de Archer Hale, um rapaz mudo, de olhos profundos e músculos bem definidos, que se esconde atrás de uma aparência selvagem e parece invisível para todos do lugar. Intrigada pelo jovem, Bree se empenha em romper seu mundo de silêncio para descobrir quem ele é e que mistérios esconde. Alternando o ponto de vista dos dois personagens, Mia Sheridan fala de um amor que incendeia e transforma vidas. De um lado, a história de uma mulher presa à lembrança de uma noite terrível. Do outro, a trajetória de um homem que convive silenciosamente com uma ferida profunda. Archer pode ser a chave para a libertação de Bree e ela, a mulher que o ajudará a encontrar a própria voz. Juntos, os dois lutam para esquecer as marcas da violência e compreender muito mais do que as palavras poderiam expressar.
A Voz do Arqueiro é o primeiro volume da coleção Signos do Amor e nos traz um poderoso romance sobre amor, perdas, confiança e redenção; mas que fala, acima de tudo, sobre os sacrifícios que precisamos fazer quando admitimos estar apaixonados. Quando admitimos sentir algo que palavra alguma pode descrever. Baseado na mitologia de Sagitário, A Voz do Arqueiro vai fisgar você. 

"Amar outra pessoa sempre significa se abrir para a dor. Também não quero perder mais do que já perdi, mas será que não vale a pena dar uma chance ao amor?"
Bree Prescott tem 21 anos e acaba de largar toda a sua vida em uma cidade de Nova York para morar sozinha em um pequeno chalé na pequena e pitoresca cidade de Pelion, no Maine. Não só para respirar outros ares ou sair em uma aventura mas para, quem sabe, se livrar dos fantasmas de seu passado, que podem vir em forma de pesadelos ou terríveis flashbacks que a paralisam de medo. Como se fosse necessário para lembrá-la daquela noite... Como se ela algum dia fosse capaz de esquecer. Ela está marcada. E a dor é quase forte demais para suportar. 

Ali na pequena cidade ela arruma um emprego como garçonete em uma agradável lanchonete, onde logo faz novos amigos e começa a entender o ritmo do lugar. É no estacionamento de uma farmácia que ela conhece um homem lindo e enigmático que se esconde atrás de uma barba espessa e de longos cabelos. O momento não poderia ser mais constrangedor dada as circunstâncias que precedem o encontro, mas o silencioso rapaz não parece reparar, muito menos parece estar disposto a conhecê-la, pois logo vai embora; deixando-a ali no estacionamento com várias perguntas sem resposta. 
"Os olhos ele me diziam tudo o que a voz não poderia dizer. Dissemos mil palavras sem que nenhuma delas fosse pronunciada." 

Archer Hale tem um passado conturbado. Um terrível acidente matou sua família e o tirou a capacidade de falar quando tinha apenas 7 anos. De lá para cá ele só se comunicou com seu tio, usando papel e caneta, mas o mesmo faleceu anos antes. Ele está sozinho agora. Vivendo sua vida solitária e simples sem relação alguma com outras pessoas. Até Bree aparecer. 

Para a surpresa de ambos e de todos no lugar, uma amizade tem inicio. Bree sabe a linguagem de sinais, pois o pai era surdo, e Archer aprendeu a linguagem sozinho, com livros. Nunca teve a oportunidade de falar com ninguém antes. Mas agora ela  está ali, tentando ajudá-lo e se ajudando também. Juntos eles descobrirão uma linguagem própria. Só deles. 
Ela tentando esquecer um momento traumático. Ele tentando fazer o mesmo, e também recuperando anos de silêncio, sofrimento e feridas nunca cicatrizadas. 

A tensão entre eles palpável e logo a amizade se transforma em algo maior. O comprometimento de ambos em fazer bem um pro outro os aproxima cada dia mais. Mas Archer passou anos sozinho. Ele nunca teve experiência romântica. Nunca ficou tão próximo de uma mulher. Ele tem medo que isso comprometa seu relacionamento com ela. Sua inocência não o permite até mesmo enxergar o quanto é bonito e o quanto afeta Bree com apenas um olhar.

Será que essa paixão será suficiente para curá-los? Será que o amor vencerá desta vez? O passado de ambos será enfim deixado para trás ou ainda voltará para feri-los mais um pouco? 

Todas essas perguntas serão respondidas neste romance avassalador que explora o psicológico de duas pessoas marcadas e feridas e que, depois de muito sofrimento, enfim encontram a verdadeira felicidade nos braços um do outro. A química entre eles é tão forte e o relacionamento construído de forma tão delicada e tão inocentemente que deixa o leitor totalmente vidrado no enredo e torcendo pelos mocinhos do começo ao fim. 

Mia Sheridan tem uma escrita simples e todo o livro é narrado em primeira pessoa e sob o ponto de vista de ambos os personagens. Bree narra o presente e nos apresenta, com os flashbacks que tem, um pouco do momento traumático pelo qual passou.
Archer nos narra seu passado, aos 7 anos e algum tempo antes do acidente e também o presente. Os mistérios que o envolvem sendo revelados aos poucos enquanto os de Bree são entregues ao leitor de uma vez, em um momento x da estória. 

Como um romance mais adulto, A Voz do Arqueiro possui algumas cenas de sexo. Nada muito escrachado, machista ou rude; todas as cenas foram muito bem desenvolvidas e descritas. 
"Era como se meu corpo fosse um instrumento e ele houvesse aprendido a tocá-lo tão bem que a melodia vibrava em minha alma. Não apenas por causa do prazer que ele me proporcionava, mas porque se importava bastante em saber tudo a meu respeito."
Algo na escrita da autora que logo me chamou atenção foi a capacidade de levar o leitor a se sentir parte da estória. Sentimos junto aos personagens, não só o sofrimento deles mas também constrangimento, alegria e etc. Me peguei em vários momentos com um sorriso bobo no rosto, e em outros com o coração apertado.

Admiro muito autores que me trazem reações físicas com suas narrativas. Mia Sheridan definitivamente sabe o que faz, e faz muito bem. Ela prende o leitor não só nos momentos intensos da trama, mas faz isso em exatamente todas as páginas. É bem difícil largar o livro antes de chegar ao fim. 

E que desfecho lindo! Clichê, mas lindo. O tipo de final que te faz abraçar o livro e querer ler tudo aquilo outra vez. Que te deixa com um sorriso no rosto por horas, recordando o que leu. Foi assim comigo.

Toda mitologia ligada ao signo de Sagitário é desenvolvida muito suavemente, explorando todas as características dele ao longo da narrativa. Uma ideia muito original e que me deixou bastante empolgada, devo admitir. 
"Acho que amor é um conceito, e cada pessoa tem uma palavra única para descrever em que o sentimento se resume para ela. A minha palavra para amor é Bree."

O trabalho gráfico está impecável e a capa é lindíssima. Encontrei um ou outro erro de revisão, mas nada que comprometesse a leitura. 

Enfim, indico este romance para todos os fãs do gênero. É uma leitura rápida, envolvente e recheada de lindas passagens. Está longe de ser um livro bobo. É um livro único, recheado de clichês, como todo bom romance, mas único. Entrou para os favoritos.

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