Resenha || A desconhecida | Peter Swanson | Novo Conceito


A desconhecida

Peter Swanson

Título original: The girl with a clock for a heart
Gênero: Suspende
Editora: Novo Conceito
Número de Páginas: 288
Edição: 2015
Avaliação: ★★★
* Livro cedido em parceria com a editora
Sinopse: Uma história sombria, em uma atmosfera romântica e um quê de Hitchcock, sobre um homem que fora arrastado para uma trama irresistível de paixão e assassinato quando um antigo amor reaparece.de mentiras. Em uma noite de sexta-feira, a rotina confortável e previsível de George Foss é quebrada quando, em um bar, uma bela mulher senta-se ao seu lado. A mesma mulher que desaparecera sem deixar vestígios vinte anos atrás. Agora, depois de tanto tempo, ela diz precisar de ajuda e George parece ser o único capaz de salvá-la. Será que ele a conhece o suficiente para poder ajudá-la?

Eu estava ansiosa para ler esse livro, por dois motivos: primeiro por ser classificado como sendo do gênero suspense; segundo porque, na sinopse, diz que se trata de "uma história sombria, em uma atmosfera romântica e um quê de Hitchcock". Eu comecei a leitura muito empolgada, mas já no final não estava assim tão envolvida.

Com essa descrição eu achei que encontraria uma história em que eu sentiria pavor, inquietação, temor. Esperei isso porque, segundo estudiosos, as histórias hitchcockianas correspondem a teoremas morais nos quais a culpa e o pecado, a dicotomia entre a realidade e a aparência, a angústia e o suspeito obtêm uma dimensão mais profunda.

Não acho que Peter Swanson tenha conseguido essa profundidade. No entanto, acredito que Swanson está mais para Harlan Coben do que para Hitchock. A desconhecida tem muito do livro Seis anos depois (resenha aqui). Isso é notório para quem leu o livro de Harlan. Talvez a diferença esteja um pouco nas questões da culpa e realidade vs. aparência.

Mas devo ressaltar que a leitura de A desconhecida, para mim, foi mais prazerosa do que ler de Seis anos depois. Identifiquei-me muito mais com escrita de Peter Swanson, apesar de continuar achando que o personagem principal, assim como o Seis anos depois, é de uma burrice sem tamanho. 

Em A desconhecida, o protagonista é George Foss, homem que leva uma vida pacta, mantém um relacionamento sem grandes arroubos de paixão com ex-namorada que não é ex. O que houve de mais intenso na vida de Foss é que no primeiro ano da universidade, há cerca de 20 anos, ele se apaixonou perdidamente por uma colega. Mas essa mulher sumiu de sua vida sem dar explicações, após uma série de estranhas circunstâncias, usurpação de identidade.

Ao que parece Foss nunca superou essa grande paixão. Agora essa mulher voltou e pede um favor a Foss (que qualquer um recusaria). Ele, sem pensar duas vezes, aceita. E aqui entra a estupidez da George Foss. Ele comete erros bobos. O leitor ficar com vontade de gritar com George.

A história é narrada em terceira pessoa, alternando em duas linhas de tempo: o presente e o passado da época de George Foss conheceu a desconhecida Jane, Liana, Audrey. O George do presente sabe muito bem do que Liana é capaz e mesmo assim se deixa aproximar.

A desconhecida é uma mistura dos gêneros suspense e policial, para mim, com falhas nos dois gêneros, principalmente no suspense. Entretanto, é um entretenimento interessante, devido a escolha da estrutura narrativa. Se eu fosse escrever um livro escolheria essa estrutura narrativa.

O Personagem George é um homem que se deixa envolver em uma trama por necessidade de ficar próximo de uma mulher que ele já conhece a índole questionável dela, devido a fatos passado. Ele tenta justificar o porquê de ela ser assim, mas não convence.

A narrativa, então tenta prender o leitor com o artifício do falso culpado, com a incerteza de quem seria o antagonista. Bom, mas é visível para o leitor, devido a natureza furtiva da personagem Liana desde o primeiro momento. 

Como quase sempre acontece comigo, em A desconhecida, a antagonista é que mais me chamou atenção. Eu queria saber mais da natureza imperfeita dela, que me parece ter a ver mais com a complexidade do ser humano do que com a resolução fácil de traumas da adolescência

Indico o livro para os leitores de Harlan Coben. Não sei se os fãs apaixonados por  Hitchcock vão sentir o trabalho do mestre do suspende representado nessa obra. Provavelmente não.

O trailer abaixo é bem interessante. Ah, acho que o título brasileiro tem mais a ver com a história.

0 comentários:

Postar um comentário