Resenha || Dias Nublados | Dany Fran | Editora Empíreo


Dias nublados

Dany Fran

Gênero: Romance
Editora: Empíreo
Número de Páginas: 276
Edição: 2015
Avaliação: ★★★
* Livro cedido em parceria com a Editora
Sinopse: Às 8h55, de uma segunda-feira de Carnaval, Izadora Morgan Luchetta viajava por uma rodovia estadual do Paraná. Artista plástica,seguia com a certeza de retornar a Florença, onde faria, em breve, uma exposição. Mas, naquela mesma hora, em outra estrada, um caminhão perde o freio no instante em que a irmã mais velha de Izadora e dois amigos passavam, indo para praia. E izadora não voltou para Itália. Um minuto e a vida que tinham deixa de existir.
“A vida não foi mesmo feita para ser um resumo. Por isso escreva a sua história sem pressa.” 
Você já foi pego pensando na forma como você via as coisas anos atrás? Lembranças e recordações de fatos, ou até coisas que você dizia, e hoje já não te serve mais? É interessante como mudamos com o passar do tempo, não é mesmo? Há coisas que eu falava anos atrás e caem como uma luva, como se houvesse uma conexão entre o meu eu passado e o eu do presente. É com essa reflexão que se inicia o livro Dias nublados, lançado em 2015. Uma drama/romance da Editora Empíreo.

Nos capítulos iniciais do livro conhecemos a protagonista Izadora Morgan Luchetta que está refletindo a respeito de um bilhete, escrito anos atrás, e como aquele pequeno texto cai bem para sua atual situação. A partir daquele trecho ela relembra de vários momentos, e um deles foi a exposição de suas obras em uma galeria, na cidade de Florença. Ela revive todas as cenas que aconteceram naquele dia.

Ao começar pelo telefonema da sua irmã, avisando que sua família sofreu um acidente de carro, mas que todos estavam bem, só não seria possível irem à exposição naquele dia devido ao susto. Outro evento trágico foi a morte da esposa do dono da galera e naquele exato momento teve que adiar a exposição. Izadora agradece porque os seus familiares estavam bem, por outro lado amaldiçoa aquele dia por não ter a sua tão sonhada exposição, e de certa forma ela coloca culpa no dono da galeria.
“Respostas. Às vezes, passamos uma vida em busca de algumas que jamais serão decifradas. Pelo menos não de maneira concreta.”
Como forma de esquecer tudo isso ela resolve viajar ao Brasil e voltar depois do carnaval, e quem sabe expor as suas obras. O que ela não sabe é que o que estava para acontecer na sua vida mudaria tudo (ou não), seus dias ficariam nublados, e ainda sim ela não entendia o porquê de tudo aquilo. O que será que houve com Izadora? Ela vai conseguir superar?

Sem mais detalhes sobre o enredo, posso dizer que Izadora é uma mulher egoísta, que se preocupa o tempo todo consigo mesma, nem o que aconteceu com ela mudou o jeito de ver as coisas, e isso foi algo que me irritou na personagem, creio que foi um pouco forçado ela não mudar tanto quanto se espera de alguém que passa por algo ruim.

Mas...Somos seres humanos, não é mesmo?! Não é fácil entender o que se passa pela cabeça do outro, nem mesmo a falta de sensibilidade eu consigo. Bom, quem perde é quem não muda. E isso de fato Izadora perdeu e muito!

O livro é narrado em primeira pessoa, do ponto de vista da protagonista, alternando passado e presente. O que é bem legal. Pois compreendemos os desdobramentos das personagens, e até que ponto é possível perceber a profundidade do enredo.

O fato de Izadora permanecer sempre em uma linha só, não dá para dizer se ela amadurece ou não, pois é apenas no final do livro que sabemos o que aconteceu com ela e a justificativa da leitura daquele trecho inicial.

A leitura desse livro não me surpreendeu tanto. Não consegui me conectar com a estória e nem com a personagem. Confesso que a capa, diagramação são maravilhosas, e isso foi o que me prendeu de primeira. Daí cai naquele velho ditado: “Não julgue o livro pela capa.”

Isso não quer dizer quer dizer que a narrativa não é boa.  O livro tem seus pontos negativos sim, mas também tem os pontos positivos como refletir sobre a forma em que levamos a nossa vida, agradecer pelas simples coisas, não reclamar tanto quando algo dá errado, saber tirar uma lição em meio aos momentos difíceis.
"- [...] O que quero dizer é que as obras que explodem emoção na gente são resultado de técnica, de alma, trabalho e o coração do artista.” 
Durante toda a obra consegui fazer um comparativo em relação a minha própria pessoa, de como eu era e como eu sou. Poucos são os livros que me deixam a refletir dessa maneira, e creio é esta a maior lição de Dias Nublados. Indico a obra para o público que aprecia o gênero romance/drama.

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