Resenha || O Primeiro Telefonema do Céu | Mitch Albom | Arqueiro

O Primeiro Telefonema do Céu

O Primeiro Telefonema do Céu 

Mitch Albom

Título original: The First Phone Call from Heaven 
Gênero: Drama, Suspense 
Editora: Arqueiro
Número de Páginas: 288
Edição: 2014
Avaliação: ★★★
* Livro cedido em parceria com a editora 
Sinopse: Numa sexta-feira comum, o telefone de Tess Rafferty toca. É sua mãe, Ruth, que morreu quatro anos antes. Em seguida, Jack Sellers e Katherine Yellin recebem ligações semelhantes, do filho e da irmã, também já falecidos. Nas semanas seguintes, outros habitantes de Coldwater afirmam que estão em contato direto com o além, e que seus interlocutores lhes pediram para espalhar a boa-nova ao maior número possível de pessoas. A mensagem é simples: o céu existe, e é um lugar onde todos são iguais. Em pouco tempo, correspondentes de diversos meios de comunicação aportam na cidade para transmitir os desdobramentos do fenômeno que pode ser o maior milagre da atualidade. Visitantes do país inteiro começam a surgir, as vendas de telefone disparam e as igrejas se enchem de fiéis. Apenas uma pessoa desconfia da história: Sully Harding, ex-piloto das Forças Armadas. Após quase morrer num desastre aéreo, perder a mulher e cumprir pena por um crime que não cometeu, ele não acredita num mundo melhor, muito menos após a morte. E quando seu filho pequeno começa a esperar uma ligação da mãe morta, ele decide provar que estão todos sendo enganados.
"Às vezes o amor nos aproxima, mesmo que a vida nos separe."



A cidade de Coldwater não é conhecida por seus pontos turísticos nem por ser badalada; nem nada do tipo. Lá, quase todos se conhecem, ou até mesmo cresceram juntos. A polícia quase não tem chamadas e todos vivem calmamente à sua maneira. Por isso, quando a cidade é cede de um fenômeno inexplicável, a repórter televisiva Amy Penn, enviada à cidadezinha para cobrir o caso, logo se pergunta: por quê ali? 

Seria mais uma semana comum na cidade se Tess Rafferty, Katherine Yellin, Jack Sellers, Elias Rowe e outras pessoas não tivessem recebido um telefonema. Um telefonema do céu. 

Um milagre? Uma brincadeira de mal gosto? 

Um filho que morreu na guerra; uma irmã que teve uma morte súbita; uma mãe que tinha Alzheimer; um ex-funcionário alcoólatra... Todos ligam para falar do céu, de como lá é bonito e como todos os seus pecados são perdoados; agora, espalhem essa notícia a todos. Palavras de aquecer o coração; ou enlouquecer uma pessoa. 

Religiosos, fanáticos e curiosos começam, aos poucos e depois aos montes, à viajar para Coldwater afim de viver um pouco daquilo tudo. Compram telefones iguais, querem morar em casas vizinhas àqueles Escolhidos, acampam nos jardins dos mesmos... A cidade nunca esteve tão cheia. As igrejas, lotadas de féis. 

Porém, algumas pessoas têm suas dúvidas e desconfiam de tudo aquilo. Um deles é Sully Harding, ex-piloto das Forças Armadas, viúvo e pai do pequeno Jules. Passou meses na prisão por um erro que não cometeu e agora, ainda sofrendo pelos eventos recentes de sua vida e com medo do futuro, se depara com loucos - só podem ser!  - afirmando receber contato do céu e iludindo à todos, inclusive seu filho, que sente falta da mãe. 
Sully, com a ajuda de amigos improváveis, irá desvendar esse mistério e provar que estão todos sendo enganados. Ou não. 

E se o fim não for o fim?


"É preciso começar de novo. É o que todos dizem. A vida, no entanto, não é um jogo de tabuleiro, e a perda de uma pessoa querida nunca é como "recomeçar um jogo". É, acima de tudo, "continuar sem"."
O Primeiro Telefonema do Céu é narrado em terceira pessoa e possui diversos pontos de vista diferentes. Essas perspectivas são avulsas e vão apresentando e situando o leitor na pequena cidade e aos seus moradores. Não existe bem um padrão narrativo. Geralmente, livros com mais de dois ou três pontos de vista acabam sendo mais densos e cansam o leitor mais rápido. Com esse não foi muito diferente. 

A ideia principal que o autor apresenta vem em forma de questão: o que você faria se recebesse um telefonema de alguém que ama muito, e que já morreu? 

Alguns de seus personagens recebem, e é a reação deles que acompanhamos. Deles, e do resto do mundo, que não fica indiferente ao aparente milagre divino. Alguns protestam conta isso; outros ficam totalmente enlouquecidos pela possibilidade de acontecer com eles também. Há os que creem fervorosamente e os que nada querem ter haver com aquilo. Alguns invejam; outros abominam.

E uma pergunta que fica na cabeça do leitor durante toda a leitura: o que realmente está acontecendo?

É isso o que Sully Harding quer saber e, para isso, começa sua própria investigação. As partes sob a perspectiva de Sully, para mim, foram as mais interessantes e instigantes. Principalmente por ele ser um descrente e ir atrás de um porquê enquanto as outras pessoas apenas aceitam aquilo.

Um telefonema do céu pode ser uma benção, um milagre; mas também pode ser um fardo a mais, uma cutucada na ferida que já cicatrizava... 

Demorei até me acostumar com a escrita do Mitch e o estilo da narrativa, mas quando isso aconteceu o ritmo da leitura aumentou bastante. É o primeiro que leio do autor. 

Solicitei o livro justamente pela premissa, pois me lembrou A Cabana, um de meus livros favoritos.
Acabei encontrando um suspense com drama e até um pouco de romance. No todo, foi uma boa leitura.

A edição está ótima. A capa é muito bonita e condizente com a estória. As páginas são amareladas e possui bom espaçamento. Não encontrei erros de revisão que atrapalhassem a leitura.

Esse livro possui lindas mensagens e ótimas reflexões; sobre vida, amor, esperança, fé e humanidade. Sobre redenção. Sobre estar vivo e sobre nosso papel na terra. Se você gosta de livros questionadores, precisa ler esse aqui! :)

Como você se sentiria se um dia recebesse uma ligação de alguém que ama muito - e que já se foi?

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