Resenha || Toda luz que não podemos ver | Anthony Doerr | Editora Intrínseca


Toda Luz Que Não Podemos Ver

Anthony Doerr

Título original: All The Light We Cannot See
Gênero: Romance
Editora: Intrínseca
Número de Páginas: 528
Edição: 2015
Avaliação: ★★★★
Sinopse: MARIE-LAURE vive em paris, perto do museu de história natural, onde seu pai é o chaveiro responsável por cuidar de milhares de fechaduras. Quando a menina fica cega, aos seis anos, o pai constrói uma maquete em miniatura do bairro onde moram para que ela seja capaz de memorizar os caminhos. Na ocupação nazista em Paris, pai e filha fogem para a cidade de Saint-Malo e levam consigo o que talvez seja o mais valioso tesouro do museu. Em uma região de minas na Alemanha, o órfão Werner cresce com a irmã mais nova, encantado pelo rádio que certo dia encontram em uma pilha de lixo. Com a prática, acaba se tornando especialista no aparelho, talento que lhe vale uma vaga em uma escola nazista e, logo depois, uma missão especial: descobrir a fonte das transmissões de rádio responsáveis pela chegada dos Aliados na Normandia. Cada vez mais consciente dos custos humanos de seu trabalho, o rapaz é enviado então para Saint-Malo, onde seu caminho cruza o de Marie-Laure, enquanto ambos tentam sobreviver à Segunda Guerra Mundial. Uma história arrebatadora contada de forma fascinante. Com incrível habilidade para combinar lirismo e uma observação atenta dos horrores da guerra, o premiado autor Anthony Doerr constrói, em Toda luz que não podemos ver, um tocante romance sobre o que há além do mundo visível.
Oi, gente, como estão? Espero que estejam bem. Hoje compartilho com vocês a leitura de Toda Luz Que Não Podemos Ver, de Anthony Doerr, livro que eu esperava ansiosamente para ler e que me deixou bem satisfeita pela sensibilidade com que tratou a Segunda Guerra Mundial pelos olhos de duas crianças que amadureceram em meio às atrocidades da guerra.


Diferentemente do que estamos acostumados quando o assunto é Segunda Guerra Mundial, o livro não trata do Holocausto em si, como os livros O Menino do Pijama Listrado e O Diário de Anne Frank, mas do que esse momento histórico proporcionou aos personagens Marie-Laure e Werner, pessoas que viram a guerra acontecer por outro ângulo. Vale a pena conhecê-los melhor:

Marie-Laure mora com o pai Daniel em Paris e perdeu a visão ainda na infância. As limitações que a cegueira lhe trouxe mudaram sua vida, mas o amor e a dedicação do pai fizeram com que ela tivesse uma vida razoavelmente normal. Marie adora descobrir coisas novas e é apaixonada por livros, principalmente os clássicos de Júlio Verne. Para facilitar a sua vida, o pai constrói uma maquete do bairro em que moram para que a filha possa ter noção do que existe ao seu redor.



— A senhora acha, madame, que no céu nós realmente vamos conseguir ver Deus face a face? 

— Pode ser que sim. 

— E se você for cego? 

– Acho que, se Deus quer que vejamos alguma coisa, então nós vamos efetivamente ver.
Werner é um órfão alemão que mora com a irmã em um orfanato. Desde pequeno, ele é um gênio em mecânica e sente prazer em montar e desmontar rádios e outros aparelhos eletrônicos para descobrir o seu funcionamento e consertá-los. Seu talento o coloca frente a um militar alemão que solicita seus serviços no conserto de um rádio. 

A partir desse acontecimento, o talento de Werner passa a ter destaque e ele vai para uma escola nazista. 
Werner gosta de se recolher no seu sótão e imaginar as ondas de rádio como cordas de harpa quilométricas, vergando e vibrando sobre Zollverein, voando e atravessando florestas, cidades, paredes.

Os dois adolescentes sentem o impacto da guerra: com a invasão dos alemães à França, Marie e seu pai vão para a casa do tio-avô de Marie em Saint-Malo. Werner sofre por estar longe da irmã e por ser obrigado a fazer coisas não tão agradáveis (atrocidades típicas dos nazistas), mas que, segundo ele, são necessárias para proteger a irmã e dar a ela um futuro melhor.
Quem sabia que o amor poderia matar?

No decorrer da narrativa não só os temores da guerra atormentam os personagens. Achei fascinante a mistura de um fato histórico com uma boa dose de fantasia, pois o livro fala de um diamante azul misterioso que tem o nome de mar de chamas. Na narrativa, o mar de chamas pertence ao museu onde o pai de Marie trabalhava antes da guerra, e que ele levou consigo para preservar esse objeto tão valioso. A lenda que existe em torno do mar de chamas é que aquele que o possui terá a vida eterna, porém aqueles que ama sofrerão algum mal.

Os personagens Werner e Marie se encontram no decorrer da história, e o que eu posso dizer sobre os dois juntos é que foi impossível não chorar!  

O livro é muito emocionante, as vivências dos personagens deixam várias lições. A simplicidade de Marie-Laure sem dúvida foi muito tocante. Werner também me mostrou que às vezes é necessário fazer alguns sacrifícios pelo bem daqueles que amamos.

Um detalhe que eu não poderia deixar de destacar é a divisão do livro. Ele tem quatorze partes que variam entre os anos de 1934 a 2014. As partes não estão em ordem cronológica, por esta razão é preciso muita concentração para não comprometer o desenvolvimento da narrativa.

Até a metade do livro eu estava bem desanimada, a impressão que tive foi que a leitura permaneceu durante páginas e mais páginas, imóvel, sem aquela emoção que não permite que paremos a leitura nem por um instante, e por isso Toda luz que não podemos ver recebe quatro estrelas. Mas confesso que o final foi surpreendente pela leveza e sensibilidade depositadas no desfecho final. Indico a leitura para quem gosta de livros emocionantes e que retratam um momento histórico tão marcante como a Segunda Guerra Mundial. 

0 comentários:

Postar um comentário