Resenha || Aristóteles e Dante Descobrem os Segredos do Universo | Benjamin Alire Sáenz | Editora Seguinte

Aristóteles e Dante Descobrem Os Segredos do Universo

Aristóteles e Dante Descobrem os Segredos do Universo

Benjamin Alire Sáenz

Gênero: Jovem Adulto
Editora: Seguinte
Número de Páginas: 392
Edição: 2014
Avaliação: ★★★★★ 
Sinopse: Dante sabe nadar. Ari não. Dante é articulado e confiante. Ari tem dificuldade com as palavras e duvida de si mesmo. Dante é apaixonado por poesia e arte. Ari se perde em pensamentos sobre seu irmão mais velho, que está na prisão. Um garoto como Dante, com um jeito tão único de ver o mundo, deveria ser a última pessoa capaz de romper as barreiras que Ari construiu em volta de si. Mas quando os dois se conhecem, logo surge uma forte ligação. Eles compartilham livros, pensamentos, sonhos, risadas - e começam a redefinir seus próprios mundos. Assim, descobrem que o amor e a amizade talvez sejam a chave para desvendar os segredos do Universo.

"Outro segredo do Universo: às vezes, a dor era como uma tempestade que vinha do nada. A mais clara manhã de verão podia acabar em temporal. Podia acabar em raios e trovões."

Sabe aquele tipo de livro que nos prende de tal maneira que passamos suas páginas devagar, quase parando, com medo que acabe? Esse livro me deixou assim. Porém, uma hora tive que terminar, e o que resta é a saudade da história, dos personagens e dos bons momentos que a narrativa me proporcionou. Fica também a imensa vontade de começar tudo de novo.


Verão de 1987
Ari é um garoto de 15 anos pensativo e irritadiço que tem um pouco de dificuldade em se relacionar com outras pessoas; não tem amigos e passa a maior parte do tempo sozinho ou com sua mãe. Seu pai, marcado pelas cicatrizes da guerra, quase não fala, o que deixa Ari nervoso. Também não ajuda o fato de não falarem sobre seu irmão, que foi preso anos atrás. Nenhuma foto... nenhuma lembrança. Ari sabe que não deve mencionar o irmão dentro de casa, e isso o faz extremamente infeliz.

Aquele verão seria o mesmo tédio de sempre, se não tivesse conhecido Dante.

“Antes de Dante, estar com alguém era a coisa mais difícil do mundo para mim. Mas, com ele, conversar e viver e sentir pareciam coisas perfeitamente naturais. No meu mundo não eram.”


Dante é totalmente diferente do novo amigo: é falante, artista e adora poesia, além de saber nadar e ser apaixonado pelos pais; tem a alma livre, o que encanta Ari. 

Juntos eles se divertem e aproveitam as férias, porém, entre surpresas e descobrimentos, desavenças e crises, algo grande acontece. Ari e Dante passam a ser vistos de uma nova forma um pelo outro. Descobrem mais sobre sua amizade, família e sobre o universo. 
Ari não tem segurança sobre o que sente, e acha cada vez mais difícil viver em sua pele, em seu corpo que muda tão rapidamente; enquanto Dante passa mais rápido e confiante por essas questões. 

Juntos, vivem mais de uma tempestade de verão. Tempestades de chuva, de sentimentos e de descobertas; de segredos revelados e novos horizontes. Novos Ari e novos Dante. Tempestades de dor e sofrimento, também, e de paixões; e no fim, o melhor de tudo: amor e aceitação. 

"Aposto que às vezes é possível desvendar todos os mistérios do Universo na mão de uma pessoa."



Aristóteles e Dante Descobrem os Segredos do Universo é um exemplar do gênero jovem adulto. O livro aborda temas de suma importância para o publico alvo: sexualidade, família, amigos, drogas, auto-descobrimento; e nos apresenta dois personagens que vivem tudo isso e sobrevivem a tudo isso, mesmo com todas as duvidas, sofrimentos e a autocobrança, além, também, da discriminação e violência. 

Essa narrativa se passa em 1987, então não temos aqui a influência da internet, mensagens de texto ou outras tecnologias modernas. Em certo momento, Ari e Dante se comunicam através de cartas, o que tornou  tudo ainda mais especial e nostálgico.


Todo o livro é narrado em primeira pessoa pelo Ari, que é um personagem bem reflexivo e até poético em suas considerações sobre as coisas e as pessoas. No começo foi um pouco difícil compreende-lo, mas a partir de um ponto do livro podemos conhecê-lo melhor. 

"Pensei muito em Dante. E me pareceu que seu rosto era o mapa do mundo. Um mundo sem qualquer escuridão. Uau, um mundo sem escuridão. Não seria lindo?"

Dante é um personagem mais fácil de visualizar. Diferente do outro, não parece carregar o peso do mundo. Está sempre disposto e gosta de resolver tudo conversando, assim como seus pais, personagens secundários extremamente interessantes.

O autor tem uma escrita muito leve e não muito descritiva, o que tornou a leitura rápida. Até os momentos mais "tensos" da trama passaram depressa, mas sem perder a profundidade (o que não quer dizer que foram fáceis). Colocar sentimentos tão verdadeiros e conflitantes no papel não é uma tarefa fácil, mas o autor fez isso com muita propriedade. É como se ele tivesse narrado a própria adolescência, tão intenso e que foi. 


É sempre muito difícil para mim escrever sobre livros que se tornam favoritos; são sempre leituras incríveis que mexem profundamente comigo. Aristóteles e Dante são personagens dos quais não queria me despedir.

Leitura mais que indicada! 

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