Resenha || Quem é você, Alasca? | John Green | Wmf Martins Fontes


Quem é você, Alasca?

John Green

Título original: Looking for Alaska
Gênero: Ficção juvenil
Editora: Wmf Martins Fontes
Número de Páginas: 229
Edição: 2010
Avaliação: ★★★★
Sinopse: Miles Halter é um adolescente fissurado por célebres últimas palavras - e está cansado de sua vidinha segura e sem graça em casa. Vai para uma nova escola à procura daquilo que o poeta François Rabelais, quando estava à beira da morte, chamou de o 'Grande Talvez'. Muita coisa o aguarda em Culver Creek, inclusive Alasca Young. Inteligente, engraçada, problemática e extremamente sensual, Alasca levará Miles para o seu labirinto e o catapultará em direção ao Grande Talvez

Os livros do "João Verde" são provavelmente os queridinhos dos últimos tempos. A grande diferença nesse livro dos outros do Green é que esse não possuí capítulos, a passagem de tempo é através do "antes" e "depois" de alguma coisa que vai acontecer. 

Quem é você, Alasca? conta a história de Miles que tem dezesseis anos e vai estudar em um colégio interno. Ele nunca teve nenhum amigo na sua antiga escola na Flórida, mas quando se muda para o Alabama ele logo faz amizade com seu colega de quarto Coronel, que é um dos amigos da Alasca. 

Assim que Miles ou Gordo (como os amigos na nova escola o chamam) conhece Alasca, ele se apaixona por ela. 

Alasca é um dos personagens mais legais do livro, ela é divertida, engraçada, um pouco depressiva talvez, mas tem uma personalidade forte, é o tipo de garota que todo mundo quer ser amiga. Ela é o oposto de Miles, que é tímido, inseguro, certinho, o tipico nerd. 


Porque não podemos prolongar para sempre esse tipo de coisa. Chega uma hora em que é preciso arrancar o Band-Aid. Dói, mas pelo menos acaba de uma vez e ficamos aliviados.

Miles gosta muito de ler, porém prefere ler biografias. Ele é viciado nas ultimas palavras que as pessoas dizem antes de morrer. Ele cita várias vezes no decorrer do livro, a frase de um escritor chamado François Rabelais "Saio em busca de um grande talvez", que foram as ultimas palavras que ele disse antes de morrer, sendo assim Miles usa isso como objetivo quando vai estudar no colégio interno.

É notável que no inicio ele se sente desconfortável com o ambiente e reclama do clima o tempo todo, da comida também, assim como é notável a mudança que ocorreu depois dele fazer amizade com Alasca e seus amigos.

Miles começa a ter experiencias no novo colégio que nunca teve antes, tais experiencias que praticamente todos os adolescentes teve ou vão ter um dia. É possível notar também que ele fica um pouco mais distante da família, preferindo passar feriados prolongados com a Alasca ao invés de ter que viajar e passar com a família. 
O que estava sentindo não era bem tristeza, era dor. Aquilo doía, e não é um eufemismo. Doía como uma surra. 

O fato do livro ser dividido em duas partes (antes e depois) fez com que muitas pessoas não gostassem do modo como é estruturado, eu particularmente, adorei a forma como John Green dividiu, porque isso fez com que prendesse ainda mais minha atenção, me deixando ansiosa para saber o que acontecia no "depois". 

Quem já leu as outras obras do autor, sabe que a grande maioria dos personagens principais são caracteristicamente nerds, não é diferente nesse livro, mas eles não são os nerds chatos, que questionam tudo e levam tudo ao pé da letra, eles conseguem ver além e Miles começa a ver além após mudar de colégio. Tem também muitas metáforas, a minha preferida é a do Band-Aid.
Se ao menos conseguíssemos enxergar a infinita cadeia de consequências que resulta das nossas pequenas decisões. Mas só percebemos tarde demais, quando perceber é inútil.

Quem é você, Alasca? é um livro divertido, porém ele não só diverte como nos faz questionar a respeito de várias coisas na nossa vida. 

As ultimas palavras do escritor François Rabelais, pode nos ajudar a ver como Miles tem razão em querer sair da sua cidade e da casa dos pais e ir para um local totalmente diferente do que ele está acostumado. E é exatamente assim que devemos entender a mensagem que Green quis transmitir, que devemos sair da zona de conforto, ir atrás dos nossos sonhos e objetivos, e o principal, viver a vida intensamente, por que a vida é curta e DEVE ser bem vivida.

De todos os livros do John Green que eu já li, esse é o meu preferido, já faz um bom tempo que eu encerrei a leitura e o final ainda circula em minha mente. E essa é uma característica maravilhosa na escrita do autor, porque sempre deixa uma questão em aberto, o que acaba se tornando algo positivo. 

Recomendo muito esse livro, pois é uma leitura fácil e proveitosa. E é excelente para conhecer o trabalho de John Green, caso ainda não leu nenhuma obra. 
Quando os adultos dizem: "Os adolescentes se acham invencíveis", com aquele sorriso malicioso e idiota estampado na cara, eles não sabem o quanto estão certos. Não devemos perder a esperança, pois jamais seremos irremediavelmente feridos. Pensamos que somos invencíveis porque realmente somos. Não nascemos, nem morremos. Como toda energia, nós simplesmente mudamos de forma, de tamanho e de manifestação. Os adultos se esquecem disso quando envelhecem. Ficam com medo de perder e de fracassar. Mas essa parte que é maior do que a soma das partes não tem começo e não tem fim, e, portanto, não pode falhar.


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