Resenha || Contos de fadas - Edição bolso de luxo | Editora Zahar


Contos de Fadas

Clássicos da Zahar

Gênero: Contos de fadas
Editora: Zahar
Número de Páginas: 288
Edição: 2010
Avaliação: ★★★★
Sinopse: Uma charmosa edição de bolso para acompanhar pais e filhos pelo resto da vida. Em um só volume encadernado, as mais famosas histórias infantis, em suas versões originais, sem adaptações, de Grimm, Perrault e Andersen, entre outros. Nesses contos de fadas, bruxas, princesas, encantamentos e finais felizes!
Com Spoiler 

Olá, leitores! Vamos falar dos contos de fadas?! Esse texto não é bem uma resenha. É um comentário sobre livros.

Hoje eu quero indicar livro Contos de fadas, edição bolso de luxo da Editora Zahar. Já começo dizendo que ela é linda, com belíssimas ilustrações (confira nas fotos). Foi ótimo reler os já conhecidos contos clássicos. Com apresentação de Ana Maria Machado, autora referência no Brasil em literatura infantil 'Contos de fadas' vale pelos contos e pela apresentação.

O livro tem 20 contos, de diferentes autores. Tem os contos de Charles Perraault: Cinderela ou O sapatinho de vidro, Pele de Asno, O gato de botas ou O Mestre Gato, O pequeno polegar, Chapeuzinho Vermelho e Barba Azul. De Jeanne-Marie Leprince de Beaumont: A Bela e a Fera. De Jacob e Wilhelm Grimm: A Bela Adormecida, Branca de Neve, Chapeuzinho Vermelho, Rapunzel, João e Maria. De Hans Christina Andersen: A roupa nova do imperador, O patinho feio, A pequena vendedora de fósforos, A pequena sereia e A princesa e a ervilha. De Joseph Jacobs: João e o pé de feijão e A história dos três porquinhos. E por último, um conto anônimo, A história dos três ursos.

Mas hoje eu quero falar especificamente do conto A Bela adormecida. No mês de março, eu li Enquanto Bela dormia (resenha aqui), de Elizabeth Blackwell, publicado pela Editora Arqueiro, e gostei da releitura. É um livro com pontos agradáveis e um final que se afasta do previsível.

Blackwell se utilizou de pontos centrais do conto clássico para criar sua própria narrativa. Na história criada por Elizabeth Blackwell há também uma rainha que não consegue engravidar, assim como no conto de fadas. Nas duas histórias, a rainha acaba engravidando. No conto de fadas é uma rã a anunciadora da boa nova. Na história de Blackweel a rainha engravida de forma misteriosa. Eu diria até um pouco macabra. Nas duas histórias as princesas carregam o peso de uma maldição.

Há na história de Blackwell a  da tia do rei, Millicent, que cobiçava o trono, representa a figura da feiticeira malvada.Também há o objeto proibido, o fuso, o qual a Bela ( que se chama Rosa) poderia se ferir, tocando a ponta e, assim, a maldição se cumpriria, como no conto original.

Há ainda outras características que aproximam as duas histórias, mas por enquanto ficamos somente com essas, que são pontos interessantes de se observar numa leitura que considera o lúdico como ferramenta principal para despertar a imaginação e a criatividade.

Mas também é interessante observar que os contos de fadas são objetos de estuda da psicanálise. Área que faz outras leituras dos contos de fadas. Para psicanálise, além da questão da ludicidade, os contos têm a ver com rito de passagem. Assim, eles têm o poder de auxiliar as crianças a lidar com o presente, além de prepará-las para o futuro.

Uma leitura do ponto de vista da psicanálise, os contos teriam características em comum. Por exemplo, os contos no geral têm um objeto proibido, no caso de Bela adormecida esse objeto é o fuso. A princesa ao furar o dedo na ponta do fuso teria relação com a menstruação.

Os heróis e heroínas são órfãos de pais (os heróis) ou de mãe (as heroínas), vítimas do ciúme de madrastas, padrastos ou irmãos e irmãs mais velhos. Todos esses pontos teriam relação com o desenvolvimento pessoal das crianças, com o desenvolvimento do corpo, dos órgãos sexuais, o passar da infância à adolescência.

Não vou me aprofundar no tema psicanálise e contos de fadas, pois precisaria da mais estudos. Mas se você ficou interessado, eu indico o  livro Repressão sexual: essa nossa (des)conhecida, da Marilena Chauí, Ed. Brasiliense, que aborda todas essas questões.

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