Resenha || A rainha vermelha | Victoria Aveyard | Seguinte


A rainha vermelha

Victoria Aveyard

Título original: Red Queen
Gênero: Distopia
Editora: Seguinte
Número de Páginas: 419
Edição: 2015
Avaliação: ★★★★
* Livro cedido em parceria com a editora
Sinopse: O mundo de Mare Barrow é dividido pelo sangue: vermelho ou prateado. Mare e sua família são vermelhos: plebeus, humildes, destinados a servir uma elite prateada cujos poderes sobrenaturais os tornam quase deuses. Mare rouba o que pode para ajudar sua família a sobreviver e não tem esperanças de escapar do vilarejo miserável onde mora. Entretanto, numa reviravolta do destino, ela consegue um emprego no palácio real, onde, em frente ao rei e a toda a nobreza, descobre que tem um poder misterioso¿ Mas como isso seria possível, se seu sangue é vermelho? Em meio às intrigas dos nobres prateados, as ações da garota vão desencadear uma dança violenta e fatal, que colocará príncipe contra príncipe e Mare contra seu próprio coração.
Oi, pessoas!
O gênero distópico é um dos meus preferidos, acho que já disse isso aqui mais de uma vez. Então, desde o lançamento de A rainha vermelha que eu quero conferi-lo. O meu encanto com narrativas distópicas é que, por meio delas, podemos fazer reflexões e teorizações sobre as estruturas sociais e os regimes políticos que organizam as mais diferentes sociedades. E por mais que você ache que esse gênero já está saturado, sempre tem algo que podemos discutir e refletir, seja no enredo, nos personagens, na estrutura narrativa.

Bom, em A rainha vermelha vamos encontrar uma sociedade divida entre sangue prateado e sangue vermelho. Os prateados têm poderes e ditam as regras, estão no topo da estrutura social. Já os vermelhos não têm poderes e, além disso, são subjugados. São mantidos sobre um controle rígido, moram em condições sub-humanas e lutam as guerras dos prateados.

A personagem principal é a Mare, uma vermelha que tem consciência do sistema político-social em que vive, por isso sonha com uma sociedade diferente. Ela vive numa vilarejo chamado Palafita (Isso porque os casebres são mesmo palafitas). É uma batedora de carteia. Faz isso para ajudar nas despesas de casa. 

As perspectivas de vida dos vermelhos são as mais baixas possíveis. Ou eles vão para guerra ou exercem atividades que não são dignas dos prateados exercerem. Mare já tem o seu destino traçado: vai para guerra, assim como o pai foi e os irmãos também.

O desenrolar da trama entra em clima de ação justamente quando Mare passa a viver entre os prateados. Além disso, ela toma uma decisão que mudará a vida todo o reino. Ah, Mare também se descobre com poderes. Ela não entende muito bem o que está ocorrendo nem com o fato de ter poderes e também como viver uma nova vida entre luxo e exibição de poderes.

A história é ambientada num futuro muito além da nossa época. A humanidade como conhecemos foi extinta devido a guerras. O que restou dos homens estão divididos entre os que têm sangue prata e os de sangue vermelho, como eu já falei ante.

"A rainha vermelha" foi uma leitura prazerosa, mesmo tendo pontos que me incomodaram. E não estou falando dos poderes dos prateados serem muito parecidos com o dos X-man. Mare, por exemplo, tem o poder de controlar a eletricidade. Isso não me incomodou porque eu já esperava, pois já havia lido várias resenhas ressaltando a semelhança.

O que me incomodou foram as decisões tomadas pela protagonista. Mare confiou em pessoas que ela não conhecia, muito rapidamente.  Para mim, faltou astucia tanto da protagonista com os rebeldes como em sua relação com os príncipes. Claro que temos que considerar que Mare é apenas uma jovem de dezessete anos.

Mare sabia muito bem que os prateados manipulava o povo e de forma cruel. Inclusive, a narrativa incia com ela falando sobre essas questões, como os prateados mantem os vermelhos disciplinados. Mas parece que Mare esquece tudo e acha que pode jogar o jogo que ela nem ao menos conhece as cartas.

Mare também é alertada sobre as traições, que qualquer um poderia trair, mas ela nem ao menos fica com o pé atrás. Assim como a protagonista, os rebeldes também me parecem um tanto quanto inocentes, sem um cabeça inteligente por trás. Os planos são tão frágeis. O fato é que tudo é muito mais complicado do que Mare poderia imaginar.

Mas o bom dessas falhas é que tanto os rebeldes como a Mare podem e devem evoluir no próximo livro, pois há muito espaço para isso. 

Eu não costumo muito focar no romance em distopia, mas em "A rainha vermelha" ele é importante, pois a constituição da personagem é o resultado direto do romance, tornando indissociáveis as discussões sobre a traição, manipulação, romance. 

No entanto, o envolvimento amoroso da protagonista é outro ponto que eu fiquei o tempo todo torcendo para que a Victoria Aveyard não optasse pela saída previsível. Mas infelizmente ela faz o esperado. Somente a protagonista e os rebeldes não desconfiam da possível traição. 

Bom, mas o livro tem também vários pontos interessantes. As descrições das cenas de ação, por exemplo. Victoria Aveyard faz isso muito bem. Além das questões ditatoriais e de minorias sendo exploradas por que detêm o poder, o livro também traz questões ambientais e de saúde. E nos mostra que no jogo do poder as regras tem tons de cinza. E que é difícil selecionar o que é o bem e o que é o mal. E que o leitor pode sempre relacionar com a realidade.

Se você é fã de distopias voltadas para o publico jovem, não deixe de ler A rainha vermelha. Agora é ler logo o segundo livro. 

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