Resenha || Os Anjos do Tempo | Kevin J. Anderson e Neil Peart | Editora Belas-Letras


Os Anjos do Tempo

Kevin J. Anderson

Gênero: Ficção
Editora: Belas-Letras
Número de Páginas: 304
Edição: 2014
Avaliação: ★★★★★
* Livro cedido em parceria com a editora
Sinopse:
No mundo do jovem Owen Hardy, tudo tem sua hora para acontecer. Ele vive em uma sociedade aparentemente perfeita, graças à administração precisa do Relojoeiro. A vida segue um roteiro cuidadosamente planejado para que nada afete a estabilidade conquistada depois de anos de guerras. Até o dia em que, pela primeira vez, um imprevisto acontece e Owen se vê abandonando sua terra natal para viver uma grande – e imprevisível – aventura, entre civilizações perdidas, piratas, anarquistas e alquimistas. Os Anjos do Tempo é uma história de ficção científica escrita pelo mestre do gênerosteampunk Kevin J. Anderson, inspirada nas músicas da lendária banda de rock Rush, em parceria com o compositor e baterista Neil Peart. Uma fábula “nostálgica, estranha e encantadora”, ilustrada pelo premiado designer Hugh Syme, sobre a beleza que há na luta entre a ordem e o caos, entre a realidade e o sonho.
Os Anjos do Tempo, de Kevin J. Anderson é do gênero steampunk e foi baseado nas letras de Neil Peart. Neil é compositor e baterista da banda de Rock Rush (que eu só conheci com a leitura do livro e até gostei bastante).

A banda lançou o álbum Clockwork Angels no ano de 2012, e este inspirou o livro.  A partir das letras presentes no álbum, Kevin nos transposta para um cenário fascinante de uma sociedade controladora, em que as pessoas são conformadas com o que o destino prevê para suas vidas.   

Tudo tem o seu motivo. Cada coisa tem o seu lugar. E cada lugar tem a sua coisa. Embalados por esse mantra os moradores de Albion, mais precisamente na cidadezinha de Barrel Arbor viviam em harmonia graças a Estabilidade que lhes fora garantida. Não seria perfeito, viver em um lugar onde tudo acontecia na mais perfeita ordem? (Tenho minhas dúvidas quanto a isso).

Nesse cenário, conhecemos três personagens:

Owen Hardy: É um garoto de 16 anos que trabalha na fábrica de sidra com o pai, e que se deixa levar para mundos distantes através dos livros. Sua vida era boa, ao menos era o que ele achava. Cada coisa tinha o seu lugar: até o dia em que Owen foi convidado por um estranho a fazer uma viagem a Crown City, a capital de Albion.

Anarquista: Este foi o personagem que convidou Owen para seguir por novos horizontes e a sua passagem no livro é marcada pela rebeldia. Ele foi uma vítima do Relojoeiro depois de demonstrar ser um ameaça a ordem vigente, e tudo isso por que era tão talentoso quanto o Relojoeiro.

Relojoeiro: O personagem traz a figura de um alquimista poderoso que se tornou uma espécie de governante de Albion. Ele é respeitado e absolutamente misterioso. O símbolo da Estabilidade que ele criou é uma abelha, pois o inseto transmite a ordem que ele admira.   


Tudo acontecia como o planejado até o dia em que alguém convida Owen a sair de Barrel Arbor. Agindo por impulso ele aceitou o convite e decidiu ir conhecer o que o mundo tem para lhe mostrar. Ainda no vapor, ele sentiu o peso de quebrar a rotina diária e os planos do Relojoeiro, mas mesmo assim seguiu em frente rumo às novas descobertas que só a ruptura da estabilidade poderiam lhe proporcionar.

A partir de então, mergulhamos em uma extensa aventura ao lado de Owen. Logo de cara, ele vai parar em um circo, onde é muito bem recebido e começa a construir sua carreira como malabarista; foi lá que ele se apaixonou e também se decepcionou.

De malabarista a ladrão, parece que a vida do nosso jovem protagonista estava sempre oscilando entre altos e baixos como se alguém estivesse o monitorando. O Alquimista tinha certo interesse em Owen, ele via no jovem a possibilidade de ter um aliado, alguém que não aceitaria as regras impostas pelo Relojoeiro.
"Você sofreu uma lavagem cerebral imposta pela Estabilidade, garoto. Pense no que você tem agora e não tinha antes. O Relojoeiro nos dá uma rotina inabalável e nos diz que tudo tem seu motivo. Ele apresenta os lindos Anjos do Tempo, mas a beleza deles mascara a máquina fria que está por trás".

A maneira como tudo vai acontecendo nos deixa sempre com a sensação de que há algo errado tanto com o Alquimista como com o Relojoeiro, é como se os dois tentassem persuadir Owen, para escolher de que lado ficar.

O livro mostra o crescimento do personagem principal, e embora ele inicie o livro bem ingênuo, percebemos que com base em suas vivências, muitas vezes bem negativas, ele conseguiu decidir o melhor para si, abandonando suas antigas crenças e formando sua personalidade.

Esse livro foi sem dúvidas uma surpresa bem positiva para mim. Nunca imaginei que um livro baseado em letras de músicas de uma banda de rock pudesse misturar tantos cenários, elementos mágicos e ideologias e conseguir nos fazer pensar nos extremos de Ordem e Liberdade.
"A ignorância é uma verdadeira benção, mas ele não acreditava naquilo. A ignorância lhe causara muitos problemas. Se ele tivesse as informações corretas, jamais teria cometido tantos erros. Para começo de conversa, ele não teria empreendido aquela árdua jornada Por outro lado, ele nunca teria se tornado quem era. Tudo tem seu motivo". 
Os Anjos do Tempo foi uma das leituras mais marcantes que já fiz até agora! E além de alquimistas, autômatos e Anjos do Tempo que transmitem palavras que acalentam, o livro é bem parecido com o livro Cândido, de Voltaire. Logo, um motivo a mais para ler!

A edição está maravilhosa, com desenhos na abertura de cada capítulo, e também tem ilustrações em papel couchê bem no centro do livro. A leitura é bem fluída e é indicadíssima para quem gosta de livros de ficção, com muita aventura e uma boa dose filosofia e música. Boa leitura.

Ouça o álbum Clockwork Angels:

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