Resenha | Fábrica de Robôs | Karel Tchápek | Hedra


A fábrica de robôs

KAREL TCHÁPEK

Título original: R.U.S. Rossumoví univerzální roboti
Gênero: Ficção Científica
Editora: Hedra
Número de Páginas: 148
Edição: 2012
Avaliação: ★★★★★
Comprar: Hedra Saraiva Cultura
* Livro cedido em parceria com a editora
Sinopse: Um cientista descobre a fórmula capaz de dar vida a máquinas de aparência humana, gerando um desequilíbrio radical no modo de produção e tornando a mão de obra humana obsoleta. Essas 'criaturas' artificiais, desprovidas de sentimentos e criatividade, passam a exercer todas as atividades braçais, com consequências nefastas para os homens.
 No inicio do ano eu prometi a mim mesma que esse ano eu leria mais ficção científica, pois é um dos meus gêneros favoritos e, também, o blog tem esse pegada de robôs-tecnologias, então é justo aparecer por aqui mais indicações de livros desse gênero.

Quando o blog foi selecionado entre os parceiros da Editora Hedra foi aí que surgiu a oportunidade certa para ler uma obra que há tempos queria conferir.

'Fábrica de Robôs' (R.U.R. Rossum's Universal Robots), do escritor tcheco Karel Tchápek é uma peça teatral em três atos que todo amante de ficção científica precisa ler. Um dos motivos dessa obra ser tão importante é que é nela que aparece pela primeira vez o sentido da palavra robô. Sim, sim, Fábrica de Robôs, escrita em 1920, é a primeira obra importante do século XX a tratar a questão da vida artificial. 
Karel Tchápek é responsável por introduziu, em praticamente todas as línguas, o sentido atual da palavra robô: mecanismo automático que realiza trabalhos e movimentos humanos. Do tcheco robota, robô significa trabalho forçado, ou escravo. Muito legal, não é mesmo?!

Uma última informação: essa peça foi  encenada originalmente em Praga em 1921. 

A história transcorre numa fábrica de robôs, situada numa ilha afastada de tudo. Os personagens são Harry Domin, diretor da fábrica. O Engenheiro Fabry, o Dr. Gall, o Dr. Hallemeier, o Cônsul Busman e o Engenheiro Alquist. Todos estes funcionários da fábrica. Há ainda as personagens Helena Glory e Nana. E também os robôs Marius, Sulla, Radius, Damon, Primus e Helena.

O livro é divido em: apresentação, ato I, II e III. Na apresentação somos inseridos na história, por meio de um diálogo entre Domin e Helena. É nesse momento que ficamos sabendo que os robôs são invenções do professor Rossum. Eles foram criados para substituir o homem em todas as tarefas, inclusive na fabricação de mais robôs. Já existem milhões de robôs por todo o planeta, e são idênticos ao homem na aparência.
Aproximadamente, senhorita Helena. Mas o velho Rossum tinha a intenção de fazê-lo literalmente. Você sabe, ele queria depor Deus de uma maneira científica. Era um grande materialista e por esse motivo fazia tudo isso. Ele queria simplesmente provar que não havia a necessidade de um Deus. Por isso ele cismou de fazer um homem tim-tim por tim-tim como nós.

Helena é uma personagem que tem uma visão mais humanizada sobre os robôs, inclusive ela tem ideias de revolução, para libertar os robôs da escravidão.

Em 'A fábrica de robôs', a metáfora da mecanização apresenta de modo vivaz o temor de que a criação supere o criador. No livro é discutido questões sobre a relação entre homens e autômatos. É interessante notar que as relações são sempre ambíguas, oscilando entre a promessa e a ameaça de destruição do humano, trazida pelas máquinas.

Preciso dizer novamente: esse livro é fundamental para todos os leitores que amam ficção científica. A escrita de Karel Tchápek é brilhante por trazer questões fundamentais na relação entre homem automato, inteligencia artificial. Questões como: o receio de que a criatura se volte contra seu criador; temor de que a criatura se reproduza por conta própria; medo de que o conhecimento sobre a criação da vida seja proibido e leve o homem à ruína.

Uma leitura possível é a gente relacionar o levante dos robôs com a exploração do homem pelo homem nas fábricas. Isso porque Karel Tchápek escreveu esse texto logo após a Revolução Bolchevique de 1917. 

Bom, pessoal, leiam esse livro, por favor. A edição da Hedra é bem simples, sem orelha. O livro é curtinho, uma leitura bem rápida. 

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