Resenha || No meio do caminho tinha um amor | Matheus Rocha | Sextante


No meio do caminho tinha um amor

Matheus Rocha

Gênero: Não ficção/Crônica
Editora: Sextante
Número de Páginas: 176
Edição: 2016
Avaliação: ★★★
* Livro cedido em parceria com a editora
Sinopse: Às vezes, a gente insiste em viver um relacionamento que já chegou ao final faz tempo. Tentamos resistir, fazer de tudo para durar mais, lutando para trazer de volta os momentos mágicos do início. Mas, quando o amor acaba, no lugar do conforto e do carinho que existiam só restam feridas que vão doer por um bom tempo e deixar cicatrizes que não desaparecerão. Porque o amor nem sempre é para sempre. Com o fim vem a tristeza, a saudade, a mágoa, o desespero e a vontade de nunca mais sentir aquela dor. Aí fechamos as portas ao perigo de sermos machucados outra vez, mas também à chance de sermos amados de novo. Um belo dia, quando as lágrimas já secaram e nos esquecemos do desconforto, com muito cuidado abrimos uma fresta só para ver a vida lá fora. E, assim como um raio de sol que entra por qualquer brecha, de repente uma vontade de recomeçar nos invade e tudo volta a fazer sentido. E, sem nem saber como, no meio do caminho avistamos novamente o amor – e a certeza de um novo começo!
Esse livro sem dúvida foi um dos mais lindos que já li, de autoria nacional. Não só pela simplicidade como também pela mistura de cores, imagens e até mesmo figuras de linguagem em alguns momentos.

No meio do caminho tinha um amor, livro recebido em parceria com a Editora Sextante, o autor Matheus Rocha, dono do blog Neologismo, me impressionou, causando um misto de frio na barriga, tristeza e boas lembranças de como é bom amar.
"Não adianta tentarmos coisas novas porque ainda somos os mesmos." 
A primeira vez que ouvi falar do autor e sobre o blog foi quando recebi o índice de lançamentos da editora. Sempre costumo pesquisar as indicações, não confio apenas na sinopse. Não posso deixar de citar que a capa do livro me chamou atenção de primeira, não só pelos detalhes na letra, mas pelo jogo de cores, o que cria uma semântica satisfatória para o livro como um todo! Quando recebi o livro e folheei cada página fiquei ainda mais apaixonada por toda a diagramação, que mescla texto e ilustração de Phellipe Wanderley, o qual recebe agradecimentos do autor.




Antes de iniciar a leitura, não pude deixar de passar os olhos pelo título “ Não leia este livro” fiquei tão curiosa, pois geralmente pulo essas partes de agradecimentos e recomendações, mas o Matheus me fez mudar de ideia, tenho que apreciar cada página do livro. Na nota de abertura é desvelado sobre o poder que a palavra tem no mundo e o seu efeito sobre nós. É deixado claro que a temática trabalhada por ele é o amor!  Ele confessa que é um ser errante, mas cheio de paixão e com um bom coração.

Meu estímulo de leitura foi aguçado nessa nota, pois o livro de fato é um instrumento que deve ser escutado, estudado, riscado (eu não tive coragem de riscar-risos-); e ele nos pede que compartilhemos nossas experiências de maneira que estas nos façam refletir sobre cada decepção, alegria, vitória que tivemos durante a nossa vida.

Confesso que fiquei com um pouco de vergonha, pois me senti intimidada quando ele revela que tudo ali escrito são suas experiências mais intimas, entregadas por meio de palavras a cada leitor, que entra em contato profundo com o livro.
" Guie-se pela coragem e aventure-se pela vida."
Segui a leitura animada e aberta à novas experiências, por isso ativei meus cinco sentidos para este livro, que foi divido em três partes, iniciadas de uma forma inusitada: fim, meio e começo. Na primeira parte sentimos uma certa dor e tristeza. Veio a minha memória os momentos mais tristes que passei não apenas em relacionamentos, mas com amigos e familiares. Torna-se difícil escolher um quote, ou trecho marcante, já que é recheado de frases únicas, das quais cada palavra é essencial para o sentido total.

" Algumas pessoas inventam desculpas esfarrapadas quando não sabem dizer que o amor acabou."
Na segunda parte as coisas começam a melhorar. A personagem se vê em um dilema entre o “eu e o outro”. Foi impossível não vir com as minhas teorias psicológicas loucas! Eu entrei em um tipo de êxtase hipnótico no qual tentei entender e viver as mesmas sensações da personagem quando tenta sair de um problema e o dilema de ultrapassar tudo sozinho me deixou melancólica, mas que tem um sentido por trás que não posso revelar.

A terceira e última parte do livro me tirou as melhore risadas. É incrível a evolução da personagem que vai do fundo do poço até os momentos mais loucos de felicidade.

Nesse capítulo surge os sentimentos de incerteza e dúvida que dão margem para iniciar uma nova relação amorosa. Eu compreendi de um modo mais longe, não seria uma relação amorosa com um certo alguém, mas consigo mesmo. É obvio o quanto não nos conectamos com nós mesmos, e por vezes isto afeta nossa relação com outras pessoas. Sim, não somos felizes sozinhos, mas para que seja possível fazer alguém feliz, precisamos nos amar primeiro, a tal ponto, que o amor transborde e seja necessário dividir com o outro.

É indiscutível o dom que o Matheus Rocha tem com a escrita, porque ficou claro o seu cuidado em cada palavra posta à prova para tocar o leitor. Não posso deixar de citar a sinceridade que ele tem em sua escrita, pois cada capítulo escrito está relacionado com a sua história.

Cumpriu-se a sentença! O autor mexeu com as minhas entranhas da mesma forma que me tocou  com sua escrita simples, rápida mas com um toque de curiosidade. Meu desejo não é que esta leitura toque a um público em especifico mas a cada leitor, cujas palavras lidas neste livro se transforme em pensamentos.


0 comentários:

Postar um comentário