Crítica Fílmica || As Sufragistas

Título: Suffragette || As Sufragistas
Ano: 2015
Produtora: Universal Pictures
Direção: Alison Owen e Faye Ward
Gênero: Drama
Elenco:
Carey Mulligan 
Helena Bonham Carter 
Meryl Streep 
Natalie Press 
Anne-Marie Duff 
Romola Garai 
Brendan Gleeson 
Ben Whishaw 
Samuel West 
Adrian Schiller 
Classificação: 12 anos
Avaliação: ★★★
Sinopse:
No início do século XX, após décadas de manifestações pacíficas, as mulheres ainda não possuem o direito de voto no Reino Unido. Um grupo militante decide coordenar atos de insubordinação, quebrando vidraças e explodindo caixas de correio, para chamar a atenção dos políticos locais à causa. Maud Watts (Carey Mulligan), sem formação política, descobre o movimento e passa a cooperar com as novas feministas. Ela enfrenta grande pressão da polícia e dos familiares para voltar ao lar e se sujeitar à opressão masculina, mas decide que o combate pela igualdade de direitos merece alguns sacrifícios.


O filme se inicia com uma alternância entre cenários: Numa cena mostra algumas mulheres trabalhando loucamente numa lavanderia com péssimas condições de higiene - em 1912 - e no outro momento um grupo de homens do Governo discutindo sobre a incapacidade das mulheres de terem equilíbrio mental para tomarem boas decisões.

“Por décadas, as mulheres fizeram campanhas pacificas pela igualdade e pelo direito ao voto. Seus argumentos foram ignorados. Em resposta, Emmeline Pankhurst, líder do movimento Sufragista, apelou por uma campanha nacional de desobediência civil."

Maud Watts (Carey Mulligan) é um das lavandeiras dessa fábrica e sempre viveu nesse lugar desde sua infância, pois sua mãe também exercia essa profissão e como faleceu quando Maud tinha 7 anos, a jovem foi obrigada a trabalhar desde cedo para se sustentar e ainda teve que aguentar seu padrão abusando de seus serviços e a violentando sexualmente.

Numa de suas voltas para casa, Maud se depara com uma confusão na frente de uma loja. Algumas mulheres que são do movimento Sufragistas jogam pedras nessa loja para chamar atenção da mídia e isso intriga a jovem, pois uma das militante é sua amiga Violet que também é empregada na fábrica de lavanderia.

A senhorita Watts retorna a sua casa com o pensamento de porque essas mulheres estavam deixando seus lares e afazeres em alguns momentos para irem as ruas protestarem contras as leis que não lhe davam o direito de votar. Ela tentou conversar com seu marido, mas o mesmo foi indiferente aos pensamentos da esposa.

Dia após dia, Maud começa a avaliar as condições de onde trabalha, como é tratada pelo seu marido, qual a importância que dão para seus pensamentos, opiniões e até chega a cogitar com o marido a gravidez de um filha - ela já era mãe de um menino - e como seria o futuro da filha, porém o marido disse que seria o mesmo do dela e nesse momento ela percebe que ninguém pode mudar a realidade dela e de outras tantas mulheres se não fossem elas mesmas.

Ela depõe no lugar de Violet no Congresso e comove o juiz com sua declaração sincera sobre como é sua vida na lavanderia e choca todos com essas palavras: “Numa lavanderia não se trabalha por muito tempo, se você é mulher. ”

Após suas palavras diante o juiz, Maud entra de vez na militância e juntamente com suas amigas e companheiras de lutas começa a olhar que as mulheres podem e devem ter direitos iguais aos homens, porque todos os seres humanos são iguais perante a Lei como seria afirmado nos Direitos Humanos depois da Segunda Guerra Mundial.

Muitas delas são presas diversas vezes, como Violet e Edith que são verdadeiramente unidas como uma fraternidade para o bem maior e nunca desistem mesmo apanhando e muitas vezes sendo ridicularizadas e humilhadas publicamente.


Quando  Emmeline Pankhurst (Merly Streep) aparece depois de um tempo sumida, devido a pressão da Justiça que queria capturá-la e assim acabar com o movimento sufragista, porém cada vez mais que as militantes e agregadas sabiam que Emm sofria pela causa, mas elas se tornam ferozes sobre seu propósito e assim que Pankhurst resume essa luta: “Durante cinquenta anos temos trabalhado de forma pacífica para garantir o voto para as mulheres. Temos sido ridicularizadas, maltratadas e ignoradas. Agora percebemos que ações e sacrifícios, devem ser a ordem do dia. Estamos lutando por um tempo em que cada menina nascida neste mundo terá uma oportunidade igual aos seus irmãos. Nunca subestime o poder que as mulheres têm de definir os nossos próprios destinos. Nós não queremos quebrar as leis, nós queremos faze-las.”


Há muitas perdas durante o filme, porque sabemos que quando lutamos por igualdade e cumprimento de nossos deveres, aqueles que sempre foram privilegiados vão se sentir lesados e vão declarar oposição aos que lutam pela garantia de sua existência e sobrevivência e aqui que a atuação magnífica de Carey Mulligan brilha mais como Maud, porque a personagem percebe que a Lei não está do lado de todos, mas do que lhe rendem mais crédito e força e somente com a luta e a força, ela e suas companheira podem ter o direito de voz diante a sociedade.

“Toda a opressão cria um estado de guerra”( Simone de Beauvoir)

As renúncias aqui nesse filme trazem diversos questionamentos: Você abandonaria seu conforto pela causa de seus semelhantes? Já viu ao seu redor quantas "vozes" foram silenciadas para o privilégios de poucos fossem mantidos?Por que as mulheres devem renunciar a si mesma para defender sozinhas o conceito de Família? Por que as mulheres são vistas como inferiores aos homens?

Aqui quem assiste à produção tem que atentar ao detalhe que o filme é introdutório ao movimento sufragista e ao feminismo, então por isso escolhe apenas alguns pontos para apresentar aos telespectadores, porém usou de bom senso e sabedoria para escolha dos conceitos e fatos apresentados.


Ao final temos uma vitória esmagadora da Justiça de verdade, na qual todos os atores sociais são ouvidos de forma equitária e não desequilibrada como vemos sempre.
“O Senhor me disse que ninguém ouve garotas como eu. Eu não posso mais viver com isso. Toda a minha vida eu fui respeitosa, fazendo o que os homens me pediam. Agora eu sei. Não valho nada mais, nada menos do que você. A Sra. Pankhurst disse uma vez que se é certo para os homens lutar por sua liberdade, então é certo as mulheres lutarem pela delas. ”
Esse filme foi apenas "abraçado" por 25 % dos cinemas brasileiros e entrou em pouquíssimas grandes redes de reprodução cinematográfica, porque - leia-se eu perguntei a uma dessas redes - não rende bilheteria e o assunto é IRRELEVANTE. Agora pergunto aos leitores: O que é RELEVANTE para você? 

Os heróis lutam pelo BEM COMUM e ensinam que TODOS merecem ser ouvidos e bem tratados e que as diferenças biológicas são apenas ação da natureza e não sinônimo de fraqueza.

Se a sociedade trabalhasse de verdade pela garantia dos direitos humanos não EXISTIRA movimentos sociais como o Feminismo, MST e tantos outros que parecem INCOMODAR muitas pessoas que em suma maioria são as que estão tendo seus privilégios ameaçados.


Temos uma atuação excelente de todas as atrizes principais, mas destaque para nossa linda Carey Mulligan que atuou como Maud de uma forma esplendorosa e a forte e magnífica Merly Streep.

As Sufragistas é um filme emocionante que mostra uma luta incessante pelos direitos de igualdade para maioria e apresenta ainda que nós mulheres apenas queremos ser vistas como semelhantes e não como inimigas ou superiores. 

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