Resenha || Uma canção de ninar | Sarah Dessen | Seguinte


Uma canção de ninar

Sarah Dessen

Título original: This Lullaby
Tradução: Flávia Souto Maior
Gênero: Juvenil -YA
Editora: Seguinte
Número de Páginas: 350
Edição: 2016
Avaliação: ★★★
* Livro cedido em parceria com a editora
Sinopse: "Remy não acredita no amor. Sempre que um cara com quem está saindo se aproxima demais, ela se afasta, antes que fique sério ou ela se machuque. Tanta desilusão não é para menos: ela cresceu assistindo os fracassos dos relacionamentos de sua mãe, que já vai para o quinto casamento. Então como Dexter consegue fazer a garota quebrar esse padrão, se envolvendo pra valer? Ele é tudo que ela odeia: impulsivo, desajeitado e, o pior de tudo, membro de uma banda, como o pai de Remy — que abandonou a família antes do nascimento da filha, deixando para trás apenas uma música de sucesso sobre ela. Remy queria apenas viver um último namoro de verão antes de partir para a faculdade, mas parece estar começando a entender aquele sentimento irracional de que falam as canções de amor…"
Eu fui com tanta expectativa para essa leitura, coisa que geralmente eu não faço, mas como li tantas resenhas elogiosas de Os bons segredos, livro da mesma autora, que acabei acreditando que Sarah Dessen teria algo a mais para me dizer. Amanda Melo resenhou Os bons segredos (leia a resenha aqui).

Em Uma canção de ninar, Remy é a narradora protagonista. Meu descontentamento já começou com Remy, que não me sensibilizou com sua história . Eu li as cem primeiras páginas e me questionei: que hora essa garota vai ter algo de interessante pra falar. A história parecia tão comum. Mas aí ela conta algo importante, no entanto a autora não focaliza no tema.


Bom, mas voltando ao resumo. Ah, eu nem preciso falar nada, a sinopse conta tudo. Remy não acredita no amor, pois viu a mãe casar e descasar várias vezes. Remy já teve vários relacionamentos, mas acabam rápido e sem grandes envolvimentos. Remy é controladora. É super responsável, é quem cuida das festas de casamento da mãe. Remy tem amigas legais. Remy sofre porque o pai, depois que separou da mãe, nunca veio vê-la. O pai escreveu uma canção de ninar para Remy, que ela odeia.

É o último verão antes de Remy e as amigas iniciarem uma nova vida na faculdade. Elas têm planos de aproveitar bastante: meninos, festas e bebidas. Esse é o plano. Mas o destino coloca Dexter na vida de Remy. Ele é o oposto de Remy: desorganizado, desajeitado. E o pior, ele é músico. Remy tem uma regra: nunca se envolver com músicos.

Uma canção de ninar é um livro morno. A narrativa é parada. Não há segredos, reviravoltas. Não consegui me apegar a nenhum dos personagens. Não consegui ter empatia com a protagonista. São pessoas/personagens que o leitor esquece quando vira a esquina/página. A personagem mais interessante é a mãe de Remy, por ser escritora, um tanto quanto excêntrica, e por ter casado várias vezes. Os vários casamentos não é um problema pra ela, somente para Remy.

Mas afastar as pessoas e negar o amor não te torna mais forte. Na verdade, te deixa mais fraca. Porque você está agindo por medo.
— Medo de quê? — perguntei.— De arriscar — ela disse. — De soltar e ceder, e isso que nos transforma no que somos. Riscos. Isso é viver, Remy. p. 273
A questão mais interessante é tratada de forma, como posso dizer, sutil. Para não dizer negligente. Por exemplo: não há sexo com uma mulher bêbada, o nome é estrupo. Quando eu achei que a narrativa iria problematizar essa tema tão caro para nós, mulheres, não emplacou, ficou somente nas entrelinhas, pincelado aqui e ali. Talvez um leitor mais desatento nem faça essa leitura.

Eu não torci pelo casal, porque a relação deles é morna. As amigas de Remy? Eu nem lembro o nome. O irmão também não tem grande destaque. Uma canção de ninar não funcionou para mim. Talvez esse livro seja para os leitores que já estão acostumados com o estilo da autora. Bom, mas quero ler Os bons segredos, para saber se Sarah Dessen escreve histórias de pessoas comuns, sem grandes problematizações.

Sobre a diagramação: é simples, mas agradável. Os capítulos são demarcados pelos meses de junho a novembro, que correspondem ao período do último verão da protagonista, antes do inicio da faculdade. Já a capa, apesar de ter tudo a ver com a narrativa, eu não acho bonita. Ela capa segue a mesmo critério de design de Os bons segredos.


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