Resenha || O Menino Dos Fantoches de Varsóvia | Eva Weaver | Editora Novo Conceito


O Menino dos Fantoches de Varsóvia

Eva Weaver

Gênero: Ficção
Editora: Novo Conceito
Número de Páginas: 400
Edição: 2014
Avaliação: ★★★★★
Sinopse:
Mesmo diante de uma vida extremamente difícil, há esperança. E às vezes essa esperança vem na forma de um garotinho, armado com uma trupe de marionetes – um príncipe, uma menina, um bobo da corte, um crocodilo... O avô de Mika morreu no gueto de Varsóvia, e o menino herdou não apenas o seu grande casaco, mas também um tesouro cheio de segredos. Em um bolso meio escondido, ele encontra uma cabeça de papel machê, um retalho... o príncipe. E um teatro de marionetes seria uma maneira incrível de alegrar o primo que acabou de perder o pai, o menininho que está doente, os vizinhos que moram em um quartinho apertado. Logo o gueto inteiro só fala do mestre das marionetes – até chegar o dia em que Mika é parado por um oficial alemão e empurrado para uma vida obscura. Esta é uma história sobre sobrevivência. Uma jornada épica, que atravessa continentes e gerações, de Varsóvia à Sibéria, e duas vidas que se entrelaçam em meio ao caos da guerra. Porque mesmo em tempo de guerra existe esperança.


Essa é uma história de sofrimento, de perdas e de destruição. Mas, é também uma história de esperança e de amor ao próximo. O Menino dos Fantoches de Varsóvia, de Eva Weaver narra mais um episódio da Guerra e do Holocausto, vem conhecer mais sobre esse livro emocionante.

Dividido em três partes, O livro nos mostra o sentimento de dois personagens principais vivenciando um mesmo momento histórico, só que de lados opostos.

Parte 1: "A História de Mika"– Aqui conhecemos a história de Mika, narrada por ele mesmo em sua velhice em um momento de desespero e medo de morrer e deixar para trás tudo o que ele viveu e nunca contou para ninguém. Então, é por meio desses relatos feitos ao seu neto Daniel, que ele nos narra sua vida na Polônia junto com a mãe e o avô.

A vida dos três judeus era tranquila e normal até o inicio da guerra e a ida deles para o gueto (ambiente onde ficaram isolados dos demais poloneses). Lá os efeitos da guerra e da invasão alemã se intensificaram. E qualquer atitude que estivesse fora do permitido para judeus era motivo de morte. Foi assim que Tatus - o avô de Mika perdeu a vida, na tentativa de salvar uma jovem judia que era violentada por alemães no gueto. Depois desse acontecimento, a vida de Mika nunca mais foi a mesma.

"Mas não tínhamos todos a mesma biologia? Um coração que batia, pulmões, sangue vermelho e quente?" 

Antes da Guerra, Tatus era professor universitário. Com a sua chegada ao gueto, ele passava horas a fio trancado em um quartinho do minúsculo apartamento em que moravam. Apenas depois de sua morte, o neto descobriu o que ele fazia lá. Junto com um casaco que Mika herdara do avô, ele descobriu um mundo colorido de fantoches de todos os tipos, alguns ainda inacabados.

E o jovem que outrora sofria com a dor da morte, e com a mudança radical em sua vida e na da família, agora sentia-se reconfortado pelos fantoches que o avô produziu. E viu neles a possibilidade de levar um pouco mais de cor ao cinza do gueto.



Nesse meio termo Mika ganha uma ajudante muito especial, sua prima Ellie, uma menina muito determinada e corajosa que o ajuda na missão de fazer espetáculos com os fantoches em orfanatos, hospitais e em qualquer lugar que fossem levar um pouco de luz em meio aquele caos. E assim, tornou-se O MENINO DOS FANTOCHES DE VARSÓVIA.  

E foi no retorno de uma visita ao orfanato que Mika foi pego por soldados alemães, e eles acabaram descobrindo seus fantoches. Max, o soldado que abordou o garoto, o convidou (aquele convite bem típico de um nazista) a fazer shows para outros soldados uma vez por semana. Mika não podia recusar e foi nesse ambiente sujo que ele ajudou a salvar algumas vidas, ganhando comida e remédios e ainda transportando crianças judias para poloneses que eram contra o nazismo.

"Daquele dia em diante, nunca mais saí sem meu casaco e os fantoches, e lentamente um plano começou a crescer dentro de mim, como uma semente germinando no escuro - uma semente que sabe instintivamente que algum dia irá romper a terra, e expor-se ao sol e crescer até atingir seu tamanho pleno".    

Mika viveu muitas aventuras e passou por muitos momentos ruins, mas nunca perdeu a força de vontade e a perseverança – o que era difícil de manter em meio a uma guerra. Talvez a amizade com Max, o soldado alemão, o fez sobreviver, embora o menino sempre duvidasse dessa amizade.  

Parte 2: "A Jornada do Príncipe" – Aqui conhecemos um pouco mais de Max, o soldado alemão que ajudou Mika, e toda a sua trajetória de antes e depois da Guerra. Max era um carpinteiro alemão e tinha um filho da idade de Mika, com a Guerra ele foi convocado para ir à Polônia executar os planos de Hitler junto com outros homens, até então ele acreditava estar se tornando um herói, mas ao ver o mal que estava causando a tantas vidas ele resolveu mudar sua postura. E foi ajudando Mika em vários momentos que ele se sentiu mais humano, sentiu que podia ter um mínimo de consciência ao dormir.



Depois da Guerra os alemães foram presos na Rússia, e sofreram bastante, mas Max não desistiu e fugiu para reencontrar a família, que ele tanto amava. O encontro com a família não foi tão bom quanto em seus sonhos, muita coisa havia mudado, mas agora ele estava livre e tinha a chance de recomeçar. Alguns anos depois, a chegada da neta deu a ele a possibilidade de se redimir com o passado cheio de dor e sofrimento que ele causara.

"Como poderíamos continuar vivendo assim, drenados de toda a vida, vazios até os ossos?"  

Parte 3: "Voltando para Casa"– Retornamos para o presente de Mika, um senhor idoso com a saúde frágil que após contar sua história para o neto teve um ataque do coração. Enquanto ele está entre a vida e a morte no hospital, alguém procura por ele para fazer uma entrega muito especial: Mara, neta de Max, também soube da história de Mika, e queria devolver-lhe um dos fantoches que ele deu a Max no passado.

"Se o inferno fosse realmente feito de fogo e sofrimento, nós estávamos no meio dele". 

Se eu disser para vocês que essa foi uma leitura fácil eu estaria mentindo, pois não foi. Não foi por que falar de morte, sofrimento e dor nunca é fácil, ainda mais quando sabemos que tais males foram causados por seres humanos. A temática do Holocausto, apesar de muito batida, é sem dúvidas muito importante, e quanto mais livros nos mostrarem o que foi esse momento, menos esqueceremos as vítimas de tamanha atrocidade.



O Menino dos Fantoches de Varsóvia foi uma leitura muito tocante e me fez enxergar uma pequena luz em meio à escuridão. A sensação de concluir essa leitura tão linda é de paz, mas também de revolta. Eu adoro livros que abordem essa temática, e esse com certeza se tornou favorito. A edição está maravilhosa, com uma diagramação impecável. Leitura mais que indicada para quem gosta de História e de livros que mesmo sendo fictícios, narram acontecimentos reais.

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