Resenha || O Último Rei do Rock | Carlos Maltz | Editora Belas Letras


O Último Rei do Rock

Carlos Maltz

Gênero: Ficção
Editora: Belas Letras
Número de Páginas: 375
Edição: 2015
Avaliação: ★★★
* Livro cedido em parceria com a editora
Sinopse:
Como é viver à sombra de um mito? Ou, pior, de um legítimo rei do rock: John Lennon. Essa é a sina de Juan LMK, que pelos desígnios do acaso nasceu no mesmo dia, hora e hospital onde morria o gênio dos Beatles. Estamos em 2020, e a banda de Juan, a Paralelepípedos do Óbvio, está decadente e vive das migalhas que caem das mesas dos últimos fãs, quando Juan recebe um convite absurdo e inesperado: tornar-se o garoto propaganda de um novo produto que vai mudar a história da humanidade, o primeiro implante nano-neural para a expansão da inteligência. Juan tem a oportunidade de se tornar o que sempre sonhou em segredo: mais famoso do que John Lennon. Em sua estreia na ficção, o baterista e fundador da banda Engenheiros do Hawaii apresenta, com um olhar psicodélico, irônico e revolucionário, personagens forjados de duas matérias-primas distintas, ou “anjos com um diabo dentro”. Qual delas falará mais alto nesta odisseia do rock? Qual delas fará a diferença na sua vida?

"É algo totalmente novo. Uma revolução! Uma nova era na inteligência artificial. E na história da humanidade sobre este planeta". 

O Último Rei do Rock foi escrito por Carlos Maltz e é uma Ficção que se passa em 2020. Época não tão distante da que estamos vivendo, porém tudo é diferente – bem mais tecnológico.

A história é narrada em primeira pessoa pelo protagonista Juan LKM – em um futuro distante que não é mencionado. É como se Juan constasse toda a sua história para uma biografia. Esse começo é bem confuso.  Mas, vamos lá.

Oito de dezembro de 1980, Nova York, John Lennon foi assassinado com um tiro. Nesse mesmo dia, horário e no mesmo hospital em que o rei do rock era atendido nascia Juan Lennon K. M – Juan LKM – além do nome tinha muito em comum com esse ícone.


Juan também era músico, com sua banda Paralelepípedos do Ócio, ele vivia o típico estilo drogas, sexo e rock and roll, sucesso que é bom nada. Mas a esperança é a última que morre, e ele ainda acreditava em fazer pelo menos um quarto do sucesso dos Beatles.

Como eu disse lá no início da resenha, a época em que tudo se passa é bem tecnológica, onde grandes corporações dominam financeira e psicologicamente a vida das pessoas. Quanto mais se compra mais feliz se é...

Uma dessas corporações a Mangodcorp, que investe no ramo da música, lança um novo produto – uma espécie de implante Nano neural de um chip que acelera a velocidade do pensamento, no caso dos músicos permite chegar a notas incríveis e a realizar composições que vão fazer todo mundo ouvir sem parar.

Não por acaso, adivinhem só quem foi o escolhido para ser o garoto propaganda do produto, e ter a chance de se tornar mais famoso que o próprio John Lennon? Sim, Juan LKM. Muita pretensão? Talvez. Mas Juan queria mesmo era fama, e pagou um preço alto por isso.
"Gente, gente, gente. Tanta gente lutando pra ficar com a cabeça fora d'água. Tanta gente lutando pra continuar respirando e tendo o direito de viver as suas encrencas, sofrimentos e histórias malucas. Quem teria inventado tudo isso? Com qual finalidade? Deus? O acaso? Às vezes eu pensava que esses dois caras deviam ser o mesmo. Com nomes diferentes". 
Sem saber da proporção do problema em que estava se metendo, Juan se empolgou com a fama e foi pouco a pouco perdendo o que era mais importante em sua vida, e se afundando nas drogas, chegando a surtar algumas vezes, e ter alucinações em que o próprio John falava com ele (sem dúvidas, essa foi a melhor parte!).

Bom, acho que isso é tudo. Mas, vamos às minhas impressões.

Maltz utilizou uma linguagem que não me agradou nem um pouco. Com muitas gírias (creio eu que com a intenção de dar mais ênfase na personalidade do protagonista) ele deixou a narrativa muito impessoal, eu não consegui me identificar muito, acho que outros elementos poderiam ter sido explorados para a caracterização dessa personalidade roqueira como, por exemplo, as atitudes (coisa que o Juan não tem!).  

Além disso, a narrativa demorou a me prender, e quando finalmente isso acontecia, vinha outro capítulo longo, chato e desnecessário e estragava tudo. A sensação que dava era de uma eterna enrolação.
"Era muito mais fácil ser apenas um consumidor de informação pré-mastigada do que partir para construir a sua noção da realidade a partir de uma busca pessoal corajosa e arriscada a colocá-lo numa posição de confronto diante de uma verdade gerada pelas megacorporações de informação e digeridas bovinamente pela multidão de 'consumidores felizes'".    

O que eu mais gostei foram as reflexões que o livro me proporcionou sobre ideal de felicidade, que geralmente é confundido com consumo. Além disso, tem também as questões da fama, e do que ela é capaz de fazer na vida das pessoas.

Essa foi a dica de hoje, para além dos pontos negativos destacados, penso que para quem gosta de ficção, de música e de boas reflexões, ainda é uma boa pedida.  Boa leitura!

0 comentários:

Postar um comentário