Resenha || Ninfeias Negras | Michel Bussi | Editora Arqueiro


Ninfeias Negras

Michel Bussi

Título Original: Nymphéas Noirs
Gênero: Policial
Editora: Arqueiro
Número de Páginas: 352
Edição: 2017
Avaliação: ★★★★
* Livro cedido em parceria com a editora
Sinopse: Giverny é uma cidadezinha mundialmente conhecida, que atrai multidões de turistas todos os anos. Afinal, Claude Monet, um dos maiores nomes do Impressionismo, a imortalizou em seus quadros, com seus jardins, a ponte japonesa e as ninfeias no laguinho. É nesse cenário que um respeitado médico é encontrado morto, e os investigadores encarregados do crime se veem enredados numa trama em que nada é o que parece à primeira vista. Como numa tela impressionista, as pinceladas da narrativa se confundem para, enfim, darem forma a uma história envolvente de morte e mistério em que cada personagem é um enigma à parte - principalmente as protagonistas.Três mulheres intensas, ligadas pelo mistério. Uma menina prodígio de 11 anos que sonha ser uma grande pintora. A professora da única escola local, que deseja uma paixão verdadeira e vida nova, mas está presa num casamento sem amor. E, no centro de tudo, uma senhora idosa que observa o mundo do alto de sua janela.

Como é de costume, os romances policiais tendem a deixar pistas para que os leitores possam montar todo o quebra-cabeça do mistério e o final possa atender as expectativas de quem constrói esse tipo de enredo. Com Ninfeias Negras, tudo acontece de forma oposta, não conseguimos visualizar o final, não seria possível mesmo com tantas desconfianças que temos durante a leitura. Michel Bussi tem uma escrita inteligente e diferente dos escritores desse gênero, pois o leitor desatencioso ficará perdido por não conseguir tecer a teia do pensamento proposto pelos personagens.


Giverny é o nome da cidade em que um misterioso assassinato aconteceu, em um belo jardim( Claude Monet), o renomado oftalmologista é encontrado morto e algo curioso é deixado na cena no crime: um cartão com a seguinte frase "O crime de sonhar eu consinto que seja instaurado."; isso despertou a curiosidade do investigador. Seria essa a marca deixada pelo assassino?

Entre vítimas e possíveis culpados, as investigações correm pela cidade. Surgem três hipóteses que podem levar ao criminoso(não vou falar aqui, rsrs). É preciso se apressar, pois outras vidas estão em risco. Em um labirinto cheio de raízes e ramificações todo cuidado é pouco, porque a vítima pode virar o culpado do dia para a noite.


Ainda sobre o enredo, três mulheres com vidas distintas tem participação na trama. Apesar de suas diferenças elas estão ligadas pelo crime. Fanette Morelle é a terceira mulher, vive com a mãe e é talentosa com pintura, mas por algum motivo tem o seu brilho ofuscado por um bloqueio de criatividade. Stéphanie Dupain, a segunda mulher, é uma professora requisitada e dedicada ao seu trabalho, mas está infeliz com sua vida conjugal e em certos momentos percebe que precisa fugir do casamento (ela troca olhares com o detetive). A primeira e não menos importante não revela o seu nome, mas esta nos bastidores observando tudo e a todos. Todo o enredo é contado por ela, ou seja, temos um narrador personagem.

"A primeira tinha mais de 80 anos e era viúva. Ou quase. A segunda tinha 36 e nunca havia traído o marido. Ainda. A terceira estava prestes a completar 11 anos e todos os meninos de sua escola queriam ser seu namorado. A primeira só usava preto, a segunda se maquiava para o amante, a terceira enfeitava os cabelos para que voassem ao vento."

"A primeira era má; a segunda, mentirosa;a terceira, egoísta."
Enquanto as investigações acontecem, nós acompanhamos a rotina de vida dessas mulheres. Cada uma delas tem um papel fundamental no enredo. Seja por maldade, mentira ou egoísmo, o mistério é o que fala mais alto na vida delas. No auge da trama, um delegado entra em cena para dar continuidade as investigações, e seria inevitável não mexer com o passado, e uma série de descobertas começam vir à tona.

As vezes se torna difícil colocar em palavras enredos brilhantes. A escrita do Michel é inteligentíssima, me tornando cética diante de situações inimagináveis. É aquele livro que te joga para dentro do enredo, faz criar diversas teorias e no final destruí-las para reconstruir o real final. 
   


"As pessoas esquecem. Sempre acabam esquecendo. Esquecem a carnificina, a barbárie, e admiram a loucura"

No inicio parecia tudo confuso, desconectado, questionador. Mas ao passo os personagens vão se revelando e que as descobertas vão surgindo, os pinos são colocados no lugar. Me senti em um jogo de resta um, quebrei a cabeça do inicio ao fim para tentar deixar tudo no seu devido lugar, e não consegui! A revelação bombástica desconstruiu tudo o que eu pensava.

Todas essas mulheres tem um ligação fiel a trama, não há buracos para questionar a vida delas e o porquê estão ligadas. O único ponto que me incomodou é que a leitura aconteceu de forma lenta, porque são detalhes minuciosos que precisam da nossa total atenção. 

Me tornei artista plástica ao decidir pintar um enredo desconhecido. Fui obrigada a rasgar a minha própria obra de arte, porque ela não condizia com o final arrebatador, que escondia o indivisível, o óbvio deixamos passar diante dos nossos olhos.

O livro é narrado em sua maior parte na visão da viúva, a mulher mais velha. A predominância da primeira pessoa nos torna passionais diante de tudo que acontece. É um enredo que exige e diverge em opiniões, isso causa euforia, porque brigamos com as personagens, dialogamos o tempo inteiro com o delegado e essas mulheres. Pintamos nosso quadro, construímos teorias e ainda sim não é suficiente para chegar aos pés da escrita do Michel Bussi.

Os capítulos curtos, os diálogos pincelados por mistério e pânico tornaram Ninfeias Negras o melhor livro lido em 2017, até agora. Preciso conhecer mais obras do autor. E, algo que não deixa calar é a capa e a diagramação maravilhosa que a arqueiro estereotipou. É por esses e outros motivos que a obra deve ser lida pelos apaixonados e admiradores do romance policial, para os que desejarem um primeiro contato com a escrita do Michel Bussi, e para os fanáticos por escritas inteligentes.

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