Resenha || Mãe sem manual | Rita Lisauskas


Mãe sem manual

Rita Lisauskas

Gênero: 
Editora: Belas Letras
Número de Páginas: 112
Edição: 2017
Avaliação: ★★★★ 
* Livro cedido em parceria com a editora
Sinopse: A gravidez é sinônimo de alegria e bem-aventurança instantâneas, está escrito na página zero do manual das mães das novelas, filmes e contos de fada. Você vai reluzir, cintilar, sentir-se plena e absoluta desde o momento em que descobriu que vai colocar uma criança nesse mundo. Mas pode não ser bem assim. Como estamos entre amigas, vamos falar a verdade aqui. Este é um antimanual: foi criado para mostrar que nem sempre há certo ou errado quando o assunto é maternidade. Para desconstruir (e rir) dos mitos que às vezes nos fazem sentir inseguras, culpadas ou nos fazem perder muitas noites de sono à toa. Este livro é um abraço apertado em cada mãe que às vezes erra, sempre querendo acertar, e às vezes acerta, tendo certeza de que, no fundo, está errando

Se você é mãe ou quer ser mãe, provavelmente vai se identificar com Mãe sem Manual. É um livro onde a autora, Rita Lisauskas, parte da sua experiência como mãe para desconstruir mitos maternos e até problematizar práticas obstetras ultrapassadas. Além de falar sobre medos, inseguranças, dúvidas e as alegrias próprias da maternidade, colocando como pronto central a não romantização da maternidade. Tudo isso numa linguagem simples, objetiva e bem humorada.


O livro tem 13 capítulos, com títulos bem humorados, abordando desde a gravidez até a primeiro ano de vida do bebê. Por exemplo, no capítulo 2, que se chama A temporada de palpites está aberta, a gente consegue dar boas risadas. Apesar de que nem sempre as grávidas conseguem levar numa boa tantas intromissões de pessoas sem noção. Já nos capítulos 3 e 6 - O Fla-Flu do parto e Quem ensina as mães amamentar? Ninguém - que tratam de parto e amamentação, respectivamente, o papo é bem mais sério.

O último capítulo - Mas cadê o pai dessa criança -  é especial, pois mete o dedo na cara da sociedade que é sempre benevolente com pais ausentes, irresponsáveis, mas essa mesma sociedade machista é sempre ágil em cobrar da mulher toda responsabilidade.

Eu sou mãe de dois meninos, gêmeos, na idade 1 ano de 2 meses, então essa foi uma leitura que eu me identifiquei em várias passagens, me solidarizei com a autora e me emocioneis em outros pontos da leitura. Assim como a Rita eu também fiz ferlilização in vitro. Depois de 8 anos de ansiedade, dúvidas, médicos, consulta, exames hoje estou aqui com meu dois amores.  Então depois desse pouco tempo de experiencia como mãe, acho que já posso dizer que não há manual pra ser mãe. Cada experiência é única. Nenhuma mulher nasce mãe. E, por favor, parem de romantizar com esse negócio de: nasceu uma criança nasceu uma mãe. As coisas são bem mais complexas que isso.

A edição Mãe sem manual é mais um ótimo trabalho da Editora Belas Letras. Com capa dura, com papel mais espeço, cores vivas e modernas que combinam com a linguagem ágil do texto. A Rita Lisauskas é jornalista e blogueira materna, creio que por isso o estilo do texto tem relação com a forma de escrever para internet.

Por fim, tenho que confessar uma coisa. Assim que soube desse livro fiquei com muita vontade lê-lo. Mas minha vontade aumentou quando soube que ele teria ilustrações da Thais Leão. Acompanho as tirinhas da Mãe Solo já algum tempo e me identifico muito. Vou colocar uma tirinha da Thais abaixo e vocês entenderão. Sou mãe de dois meninos. Tenho a difícil missão de criar meninos não machistas em um mundo machista.



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