Resenha || Tem oba-oba no baobá: histórias com perfume de África


Tem oba-oba no baobá: histórias com perfume de África 

Claudia Lins

Ilustrador: Maurício Negro
Coleção: Árvore falante
Gênero: Infantil
Editora: Paulinas
Número de Páginas: 32
Edição: 2016
Avaliação: ★★★★★ 
* Livro cedido em parceria com a editora
Sinopse: Na montanha do Quilombo, a sábia tartaruga Nina Zina conta histórias para alegrar a árvore gigante que tem saudades da África, terra que nunca conheceu. Uma engenhosa aranha africana enfrenta desafios em busca das histórias que vivem na arca mágica de Nyame. Na floresta, tambores ecoam para a festa de casamento de Omoba, o filho do rei. Tumtum, ticutum, tum, tá... Vai ter oba-oba no baobá.

Hoje eu trago mais uma dica de livro infantil: Tem oba-oba no baobá: histórias com perfume de África. Quando solicitei esse livro eu vi nele a possibilidade de apresentar aos meus filhos obras com conteúdo afrodescendente, pois quero que meus filhos tenham memória ancestral. Quero que meus filhos compreendam e valorizem os elementos culturais africanos e afrodescendêntes. Para isso, nada melhor do que apresentá-los à literatura infantil afro-brasileira.

Tem oba-oba no baobá: histórias com perfume de África é dividido em quatro partes, com introdução e três contos: A flor mágica do baobá, Como as histórias do céu vieram parar na terra e Tem oba-oba no baobá.

São contos curtos, mas extremamente expressivos. São independentes, mas mantêm uma ligação por causa de Nana Zina, uma tartaruga contadora de histórias que vive em um Quilombo aqui no Brasil. Nina Zina é afrodescendente, seus parentes vieram da África há muito e muito tempo. 

Como você já perceberem, os personagens dos contos são animais. E, claro, tem o boabá, uma árvore que se sentia só, pois não havia outros boabás para lhe fazer de companhia no Quilombo. 

No primeiro conto temos a história do baobá tristonho, apesar de ser uma árvore majestosa, com galhos apontado para o céu, ele não estava feliz, se sentia só, além de não se recordar de seus parentes. Graças a boa amiga Nina Zina e ao uma menina chamada África, o baobá pôde levar uma vida longa e feliz. O que a duas fizeram pra ajudar o baobá? Você precisa ler pra descobrir.

No segundo conto, Nina Zina conta uma história cheia de mistérios. É a história do camponês, Kwaku Ananse, que se transforma em uma aranha. Essa aranha terce um fio que chaga até o céu. Lá no céu vive Nyame, o deus que guarda todas as histórias dentro de uma arca. Kwaku Ananse queria conhecer todas as histórias, mas para isso ele terá que vencer alguns desafios proposto pelo deus Nyame.

No último conto temos uma grande festa de casamento. A princesa Nabila e Aziz, o Omoba, vão se casar. A personagem principal aqui é a velha Àjapá, tia da Nina Zina.  Àjapá está tão apressada para o casamento que esquece o presente.~

Não sei dizer qual conto mais me encantou, pois todos foram tão significativos. Se fosse pra escolher, acho que ficaria com o primeiro, o boabá que não lembra dos seus antepassados. Sempre achei o baobá uma árvore exuberante. Ela têm os galhos apontados para o céu como se estivessem em prece permanentes. É magnífico, isso. 

No conto o baobá representa a saudade que os africando escravizados sentiam da África. Banzo é o nome dado a essa tristeza profunda. Ainda bem que Nina Zina e a menina África conseguiram dar um final deferente para a majestosa árvore. 

Tem oba-oba no baobá: histórias com perfume de África foi uma leitura especial, como eu imaginei. Os contos contribuem para reflexões de caráter social, identitário, simbólico e político.

Sobre edição: Mais um belo trabalho da Editora Paulinas. Ilustrações de Mauricio Negro são em tons terrosos, que nos remete ao continente africano. Não posso deixar de falar da linguagem. Há palavras em banto e iorubá, recurso impostante na construção de significados, pois reforçam o caráter afrodescendente. São poucas palavras, e não dificultam o entendimento global dos contos. No final há um glossário.

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